
XXV Congresso da Associação Nacional de Municípios em Aveiro
Maria João Gala / Global Imagens
Os autarcas de Bragança e Mirandela, Hernâni Dias e Júlia Rodrigues, pediram, este domingo, uma discriminação fiscal positiva para os territórios do Interior como forma de repovoar aqueles territórios. No XXV Congresso da Associação Nacional de Municípios, em Aveiro, a desigualdade entre Interior e Litoral tem sido um dos temas mais discutidos.
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"Enquanto quem decide continuar a assumir que o que se passa em Lisboa é nacional, o que se passa no Porto é regional e o que se passa em Bragança não interessa para nada, nunca mais sairemos desta situação de desigualdade". A frase de Hernâni Dias silenciou o Parque de Feiras e Exposições de Aveiro, alertando para a realidade que é a despovoação cada vez mais acentuada dos territórios do Interior, refletida nos últimos Censos do Instituto Nacional de Estatística.
No debate sobre modelos de desenvolvimento e coesão, Hernâni Dias considerou "urgente" o "repovoamento dos territórios fronteiriços e do Interior através da adoção de um conjunto de medidas que podem passar pelos benefícios fiscais em sede de IRS, IRC e IMI, entre outros".
O autarca de Bragança pediu uma "política concertada de atração de imigrantes e emigrantes", para além de uma "política nacional de instalação de empresas nos territórios do Interior", a "instalação de mais serviços descentralizados, a cobertura digital 5G nos territórios rurais e a diminuição dos custos energéticos para empresas e cidadãos do Interior". Para isso, acrescentou, "é necessário que o Plano de Recuperação e Resiliência seja discutido de forma séria com os municípios".
A posição de Hernani Dias foi secundada poucos minutos depois pela congénere de Mirandela, Júlia Rodrigues, que considerou "urgente dotar as vilas e aldeias do Interior de conexão". Lembrando que a identidade "de todo e qualquer português" é igual, independentemente de estar "mais perto ou mais longe do mar", Júlia Rodrigues defendeu o reforço do investimento na agricultura e na ferrovia do Interior como forma de dotar aqueles territórios de maior competitividade.
