
Fenprof garante que medidas do Governo não estão a surtir na diminuição de alunos sem aulas
Foto: António Cotrim/Lusa
Em janeiro, os diretores lançaram para contratação de escola 2153 horários que a Federação Nacional de Professores (Fenprof) estima que tenham deixado cerca de 158 mil alunos sem todas as aulas. A Fenprof alerta que a falta de docentes continua a agravar-se e admite endurecer a contestação a partir de março, incluindo convocar greve.
A reunião com o ministro da Educação, no âmbito da revisão do Estatuto da Carreira (ECD), prevista para 4 de fevereiro, foi desconvocada e até esta terça-feira, garante Francisco Gonçalves, não chegou à Fenprof nem nova convocatória, nem proposta sobre o segundo tema do processo negocial: regime de habilitações, recrutamento e admissão na carreira.
A federação voltou a fazer contas ao número de alunos sem todos os docentes. Comparativamente a janeiro de 2025, no mês passado, os diretores lançaram quase mais 600 horários para contratação de escola, que ficaram por preencher nas reservas de recrutamento nacionais. Assim, a Fenprof estima que os 2153 horários possam ter afetado 158 130 alunos, quando no ano passado, no mesmo mês foram lançados 1557 horários e as estimativas apontavam para 123 150 alunos.
O ministro da Educação "afirma não ter dados fidedignos", mas no 2.º e 3.º Ciclos ou Secundário, quando as horas são atribuídas de forma extraordinária, os horários não vão para concurso, contesta um dos secretários-gerais da Fenprof. No 1.º Ciclo há turmas a serem distribuídas por outras salas ou entregues a coordenadores de estabelecimento, professores bibliotecários, de Educação Especial ou técnicos especializados.
A Fenprof defende que a demora no processo negocial e as medidas em vigor não estão a reduzir o problema da falta de professores, bem pelo contrário. A partir de 19 de fevereiro vai para as ruas uma "caravana nacional", que irá partir do Porto e, até 4 de março, percorrer todos os distritos do Continente e ilhas. Durante dez dias, a federação vai realizar concentrações, manifestações, "tribunas públicas", distribuir documentos à população, plenários de escolas ou de rua.
E a partir de março, a manter-se o adiamento de reuniões, a ausência de propostas e o consequente agravamento da falta de professores, Francisco Gonçalves admite que a Fenprof endureça a contestação. "Tudo estará em cima da mesa", afirma, confirmando que "elevar o patamar de luta" significa a possibilidade de convocação de greve. "Não estamos perante melhorias ou estagnação, mas sim perante o agravamento do problema", frisa Francisco Gonçalves.

