
Primeiro-ministro António Costa
ANTÓNIO COTRIM/LUSA
O primeiro-ministro assegurou que o Governo irá prosseguir as negociações com os profissionais de saúde, no calendário previsto, até ser alcançado "um acordo justo, razoável e sustentável".
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No debate quinzenal na Assembleia da República, o primeiro-ministro foi confrontado com a greve dos médicos, esta quarta e quinta-feira, pelo líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que acusou o Governo socialista de provocar "instabilidade no Serviço Nacional de Saúde" (SNS) e degradar os serviços prestados aos cidadãos".
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"Está a ver no que dá reverter reformas como a das 40 horas, está a ver no que dá conseguir défices à custa de cortes cegos, pagamentos em atraso e desinvestimento público? É este o seu modelo social e de SNS?", questionou o social-democrata.
Na resposta, António Costa admitiu que o Governo gostaria de ter feito mais nesse setor, e que tal seria merecido pelos profissionais de saúde e pelos cidadãos, mas atribuiu responsabilidades ao anterior Governo. "Não conseguimos fazer num dia o que Vossas Excelências destruíram em quatro anos", acusou.
Não conseguimos fazer num dia o que Vossas Excelências destruíram em quatro anos
"Aquilo que estamos a fazer e continuaremos a fazer é prosseguir as negociações calendarizadas até setembro de forma a conseguir um acordo justo, sustentável e razoável com os profissionais", afirmou.
Luís Montenegro apontou números, como o aumento da dívida ao SNS ao ritmo de 30 milhões de euros por dia no ano passado e 45 milhões de euros por dia este ano, e responsabilizou igualmente BE e PCP pela política do Governo na área da saúde. "Hoje foram chorar lágrimas de crocodilo aos hospitais, mas os responsáveis por estes cortes são também os senhores", acusou Montenegro, dirigindo-se às bancadas mais à esquerda.
Na resposta, o primeiro-ministro disse que este Governo contratou no ano passado 4000 profissionais de saúde, está a rever a política de aumento das taxas moderadoras do anterior Governo, a repor as horas extraordinárias, e a aumentar as Unidades de Saúde Familiar e as camas de cuidados continuados.
