"Copos e mulheres"

As críticas europeias ao presidente do Eurogrupo

As críticas europeias ao presidente do Eurogrupo

A par de Portugal, que já defendeu o afastamento de Jeroen Dijsselbloem da presidência do Eurogrupo, vários líderes europeus criticam as declarações feitas sobre os países do sul da Europa.

As polémicas declarações de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo (grupo que integra os 19 Estados-membros da zona Euro), estão a suscitar muitas críticas por parte de diversos líderes europeus. E a recusa em desculpar-se não está a ajudar.

Portugal, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva, pediu de imediato a demissão de Jeroen Dijsselbloem. O presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa apoiou esta exigência, afirmando, "Portugal já tomou posição e está tomada". O primeiro-ministro António Costa foi mais direto, acusando o líder do Eurogrupo de ser "sexista, racista e xenófobo".

Outras das vozes críticas é a do ex-primeiro-ministro de Itália, Matteo Renzi, que defendeu que o holandês deve demitir-se logo que possível.

"Jeroen Dijsselbloem perdeu uma excelente oportunidade para ficar calado. Numa entrevista a um jornal alemão, permitiu-se a reflexões estúpidas, não consigo encontrar melhor termo, contra países do sul, começando por Itália e Espanha", escreveu o antigo chefe do governo italiano na sua conta na rede social Facebook.

"Penso que pessoas como Dijsselbloem, que pertencem ao Partido Socialista europeu mesmo que não percebam o que isso significa, não merecem ocupar tal cargo. E quanto mais cedo se demitir, melhor será", acrescentou Matteo Renzi, que renunciou em dezembro passado à liderança do governo de Roma depois dos italianos terem rejeitado em referendo uma reforma constitucional.

Também a Grécia reagiu às declarações do político holandês, qualificando tais comentários como "sexistas" e "estereótipos fora de contexto". Na conferência de imprensa semanal, o porta-voz do governo helénico, Dimitris Tsanakopulos, afirmou que este tipo de estereótipos "aumenta a divisão norte-sul" e são um terreno fértil para "pontos de vista extremistas".

Questionado diretamente se o governo grego considera que Jeroen Dijsselbloem deve ser afastado da liderança do Eurogrupo, o porta-voz do executivo de Atenas evitou responder.

Em Espanha, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) exigiu o "fim imediato" do mandato do presidente do Eurogrupo e que o presidente dos socialistas europeus Sergei Stanishev "retire o apoio político de toda a família social-democrata".

O PSOE considerou que as declarações de Jeroen Dijsselbloem são "profundamente ofensivas, xenófobas e sexistas" e "colidem frontalmente com os valores sociais-democratas".

O presidente do Partido Socialista Europeu (PSE) já considerou uma "vergonha" que Jeroen Dijsselbloem, membro desta família política, tenha insultado "com uma só frase" tantas pessoas, e sublinhou que aquela posição "não representa o PSE".

Esta polémica com Dijsselbloem ocorre numa altura em que a sua posição como presidente do Eurogrupo está particularmente fragilizada, na sequência dos resultados eleitorais da passada semana na Holanda, que ditaram uma derrota histórica do seu partido, PvdA (Partido Trabalhista, social-democrata), que era parceiro de coligação do VVD (centro-direita) do primeiro-ministro Mark Rutte.

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