O Jogo ao Vivo

Sondagem

As forças e fraquezas dos candidatos às legislativas

As forças e fraquezas dos candidatos às legislativas

A sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF mostra quais são os pontos fortes e as fragilidades de cada um dos candidatos às eleições de 30 de janeiro. Ainda que seja evidente que a amplitude do mercado eleitoral de Rui Rio e, sobretudo, de António Costa, não tem comparação com os que jogam para outro campeonato.

António Costa, PS

PUB

O líder do PS tem repetido, debate após debate, que a confiança nos seus parceiros de geringonça se perdeu. E, até ver, a afirmação não fez ricochete: Costa continua a seduzir os portugueses que, em 2019, votaram nos partidos que estão à sua Esquerda, com um potencial de voto sempre acima dos 80 pontos percentuais entre os eleitores do BE e CDU. Quando o que está em causa é a geografia, destaca-se a região Sul (82% de potencial de voto), mas também Lisboa, sobretudo por causa de uns sólidos 35% na firmeza de voto (votariam de certeza). Um valor só superado entre os eleitores com 65 ou mais anos (43%). Os piores resultados do socialista, em termos regionais, são na Área Metropolitana do Porto (31% de taxa de rejeição). No que diz respeito ao género, mantém-se maior popularidade entre o eleitorado feminino.

Rui Rio, PSD

É na Área Metropolitana do Porto (65%) e no Norte (64%) que o líder social-democrata regista o seu maior potencial de voto, com a região urbana a ganhar vantagem se tivermos em conta a firmeza de voto (14%, a mais elevada nos segmentos geográficos). Em espelho com o rival socialista, Rui Rio tem maior potencial entre os homens do que entre as mulheres, mas maior taxa de rejeição no feminino. Ainda no que diz respeito ao potencial de voto, mas nas diferentes faixas etárias, tem os resultados mais prometedores entre os mais jovens e os mais velhos (59% em ambos os casos). No entanto, a firmeza de voto (os mais fiéis) cresce de forma linear à medida que o eleitorado envelhece. Ao contrário de Costa, que não merece tanta indulgência entre quem votou no PSD em 2019, Rio tem mais potencial (51%) do que rejeição de voto (49%) entre os antigos eleitores socialistas.

Catarina Martins, BE

Se excluirmos os segmentos partidários, a líder bloquista regista um potencial de voto superior à taxa de rejeição em dois segmentos: entre os que habitam no Sul do país (46%) e entre os mais jovens (46%). Os piores resultados registam-se a Norte (taxa de rejeição de 60%) e nos eleitores com 65 ou mais anos (72%). O potencial de voto decresce à medida que o eleitor envelhece, registando-se o sentido inverso na taxa de rejeição. Catarina Martins tem um pouco mais de popularidade entre as mulheres do que entre os homens. No que diz respeito aos segmentos partidários, e para além do apoio claro dos que votaram no BE em 2019, consegue resultados razoáveis entre os eleitores do PAN e da CDU no potencial de voto. Mas a melhor notícia, tendo em conta a dimensão do segmento, é mesmo o potencial de voto entre os socialistas (46%).

Jerónimo de Sousa, CDU

O secretário-geral dos comunistas retirou-se momentaneamente da campanha eleitoral, a contas com uma intervenção cirúrgica de urgência. Os eventuais efeitos não entram nas contas desta sondagem e há apenas um segmento em que o potencial de voto de Jerónimo de Sousa é superior à taxa de rejeição: entre os eleitores da CDU de 2019 (83%). Ainda no que diz respeito às escolhas partidárias, quase um terço dos que votaram no PS (31%) admitem que poderiam votar no comunista, ou seja, não partilham da desconfiança que tem sido apregoada por António Costa. Os melhores resultados do líder do PCP registam-se na Área Metropolitana do Porto (39% de potencial de voto) e entre os mais jovens (40%). Os piores na região Centro (72% de rejeição de voto) e entre os eleitores mais velhos (76%).

João Cotrim de Figueiredo, IL

O líder da Iniciativa Liberal está a "morder os calcanhares" do secretário-geral comunista no potencial de voto: soma 29% (um ponto menos que Jerónimo). É certo que tem uma taxa de rejeição (53%) inferior à do líder do PCP (62%), mas parte da explicação estará num problema de notoriedade: 18% dizem não o conhecer (pior só Rui Tavares, do Livre). Se excluirmos os segmentos partidários, João Cotrim de Figueiredo só tem um potencial de voto (38%) superior à taxa de rejeição (37%) entre os eleitores dos 18 aos 34 anos. Aliás, esse potencial vai diminuindo à medida que o eleitor envelhece, enquanto a rejeição de voto vai crescendo, para chegar aos 76% nos que têm 65 ou mais anos. O desequilíbrio de género em favor dos homens explica-se parcialmente pelo maior desconhecimento feminino. Sem surpresa, é nas áreas metropolitanas do Porto (33%) e Lisboa (31%) que revela maior potencial, sendo o Norte o terreno mais cáustico (57% de rejeição). Nos segmentos partidários da amostra, e para além dos eleitores liberais, as perspetivas são muito positivas entre quem votou no CDS em 2019 (78% de potencial de voto). No caso do eleitorado social-democrata, desce para os 39%.

Inês Sousa Real, PAN

Ainda que parta de um patamar ligeiramente mais alto (27% de potencial de voto na totalidade da amostra), a líder do PAN, consegue, tal como liberal que a precede, um saldo positivo entre os eleitores mais jovens: 38% de potencial e 35% de rejeição. Uma popularidade mais evidente entre os mais novos, que tem como espelho uma taxa de rejeição elevada entre os mais velhos (82% nunca votaria em Inês Sousa Real). O partido animalista e ambientalista tem, como habitualmente, um pendor mais feminino. Consegue o seu melhor resultado regional na Área Metropolitana do Porto (36% de potencial) e o pior no Norte (65% de rejeição). O cartaz da líder do PAN só atrai o eleitorado do partido (96%). O melhor que consegue, para além disso é 29% de potencial de voto entre os eleitores socialistas e liberais de 2019.

Francisco Rodrigues dos Santos, CDS/PP

O líder dos centristas é o único líder partidário na corrida eleitoral que não é capaz de ter um saldo positivo em nenhum dos segmentos da amostra, incluindo os partidários. Ou seja, Francisco Rodrigues dos Santos não está a conseguir convencer nem sequer os que votaram no seu partido em 2019: 56% de rejeição de voto e apenas 44% de potencial de voto. A relativa boa notícia é que, apesar de tudo, consegue gerar alguma simpatia entre os eleitores dos restantes partidos à Direita, com um potencial sempre a rondar os 40 pontos percentuais. Em termos regionais, o resultado mais prometedor consegue-o no Porto (38% de potencial) e o pior em, Lisboa (64% de rejeição). A exemplo de outros líderes, Francisco Rodrigues dos Santos melhora o seu potencial quanto mais jovem o eleitorado e aprofunda a sua taxa de rejeição à medida que o eleitor envelhece (86% entre os que têm 65 ou mais anos).

André Ventura, Chega

O líder da Direita radical, que adotou uma postura beligerante ao longo dos debates, destaca-se dos restantes pela taxa de rejeição: 67% nunca votaria no presidente do Chega, com destaque para as mulheres (mais sete pontos percentuais do que os homens) e os eleitores com 65 ou mais anos (88%). O Centro destaca-se pelo potencial de voto (31%), mas também pelo facto da firmeza de voto (votariam de certeza) chegar aos 14% nesta região (com a exceção de António CostaRui Rio consegue igualar este valor, mas na Área Metropolitana do Porto). Os homens e os dois escalões mais jovens são os segmentos mais favoráveis a Ventura, bem como, ao nível partidário, os eleitores do Chega em 2019, mas também os do CDS/PP (77% de potencial de voto neste últimos). No eleitorado de todos os outros partidos a taxa de rejeição fica sempre acima dos 70 pontos percentuais.

Rui Tavares, Livre

O fundador do Livre é o que parte em pior posição, entre os nove principais candidatos às próximas legislativas. Não só o seu potencial de voto é o mais baixo (20%) como tem uma parcela grande do mercado eleitoral fechada nesta altura, seja por causa da rejeição (53% nunca votaria), seja por desconhecimento dos eleitores (25%), e apesar da participação em oito debates. Rui Tavares tem saldo negativo em todos os segmentos, exceto entre os eleitores do Livre e do PAN de 2019. A exemplo dos candidatos da Iniciativa Liberal, PAN e Bloco, o potencial é mais elevado nos mais jovens (soma 26% entre os que votariam de certeza e os que poderiam votar), e a rejeição (nunca votariam) é mais elevada entre os mais velhos (71%). Ao nível regional, o terreno mais prometedor é a região do Porto (27%), enquanto os habitantes do Norte são os que mais o rejeitam (63%).

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG