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As mutações do SARS-CoV-2

As mutações do SARS-CoV-2

O SARS-CoV-2 é um vírus de RNA. Invade as células e começa a fazer cópias de si mesmo que vão infetar outras células.

Este vírus, tal como outros vírus, sofre mutações. Quando essas mutações acontecem, as novas cópias vão ser diferentes. Existe na natureza um fenómeno de seleção das estirpes mais eficazes - vence a mais forte, a que for capaz de sobreviver melhor.

O vírus só se multiplica dentro do hospedeiro. Para conseguir sobreviver e disseminar-se numa população não pode causar sintomas muito exuberantes nem causar muitas mortes. Se estiver associado a sintomas muito exuberantes, os afetados recorrem aos serviços de saúde numa fase precoce da doença, permitindo a sua deteção e a implementação das medidas de saúde pública e corte da transmissão. Simultaneamente, se as pessoas infetadas morrerem não transmitem a doença.

Um vírus que cause sintomas ligeiros (ou nenhuns) terá maior facilidade de transmissão, uma vez que o próprio doente não terá noção da sua capacidade de contagiosidade. Um vírus com estas características terá uma vantagem seletiva sobre outras estirpes.

Portanto, durante a evolução do vírus, geralmente a transmissibilidade aumenta enquanto que a virulência diminui. Estas características são conseguidas através de mutações. Faz parte do ciclo de vida do vírus e nem sempre estão associadas a um grande problema e na maior parte das vezes as diferenças são tão pequenas que não há diferença percetível na taxa de transmissão ou letalidade.

Embora já tenham sido identificadas várias mutações do SARS-CoV-2, os resultados são diversos, muito dependentes da população estudada. O estudo das mutações do vírus é muito importante porque pode ajudar os cientistas a perceber como é que o vírus atua e ajudar no desenvolvimento de medicamentos antivirais que podem reduzir a gravidade da doença enquanto se aguarda por uma vacina eficaz.

São necessários mais estudos para entender as implicações das novas mutações, perceber se é possível a reinfeção após a recuperação e se as alterações podem afetar as vacinas em desenvolvimento.

Pneumologista

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