Covid-19

As vacinas que já andam a circular no mundo ou estão prestes a chegar

As vacinas que já andam a circular no mundo ou estão prestes a chegar

Atualmente, existem sete vacinas contra a covid-19 a serem administradas em diferentes regiões do globo, aprovadas de emergência para por um travão à pandemia. A juntar-se a essas, deverá chegar já no segundo trimestre a da Jansen (Johnson & Johnson) como foi anunciado esta terça-feira.

Na corrida ao desenvolvimento e produção em tempo recorde de imunizantes eficazes, são já mais de 50 aquelas em testes clínicos em humanos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com um trabalho apurado, publicado pelo diário "The New York Post", são precisamente 68 as vacinas a serem atualmente testadas em humanos, sendo que só 21 entraram para já na fase 3, a última antes da sua aprovação pelas autoridades do medicamento. Há pelo menos mais 90 potenciais vacinas a serem testadas em animais.

Em processo de avaliação pela OMS, há sete admitidas em 15 que já manifestaram essa intenção, de acordo com um documento publicado a 14 de janeiro. Todas as sete em circulação exigem a administração de duas doses para garantirem proteção contra a doença.

A vacina produzida pela Pfizer/BioNTech (EUA / Alemanha) foi a primeira a dar por concluída a terceira fase de testes e foi a primeira a ser aprovada para uso de emergência e administrada no Ocidente, aos grupos prioritários estabelecidos por cada país. Começou pelo Reino Unido, logo a 8 de dezembro de 2020. Seguiram-se os EUA, o Canadá e a União Europeia (UE). Em Portugal e nos demais países da UE a inoculação começou a 27 de dezembro.

A Pfizer está a aumentar a sua capacidade de produção de 1,3 mil milhões de doses por ano para dois mil milhões, sendo que cada pessoa tem que tomar duas doses com um intervalo de 21 dias para ficar protegida. A sua vacina utiliza RNA mensageiro (material genético do vírus) e demonstrou ter uma eficácia de 95% contra a doença covid-19. O único senão associado a esta vacina é do âmbito logístico, uma vez que tem que ser conservada à temperatura ultrabaixa de 70ºC negativos.

A 6 de janeiro foi a vez da Agência Europeia do Medicamento aprovar a utilização de emergência na UE da vacina da empresa de biotecnologia norte-americana Moderna, já autorizada em meados de dezembro nos EUA. Portugal recebeu as primeiras 8.400 doses desta vacina a 12 de janeiro.

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As líderes

Tanto a vacina da Pfizer/BioNTech como a da Moderna são dominantes na Europa, na América do Norte, no Japão, em Israel e no Golfo Pérsico. A primeira foi aprovada ainda na Suíça, na Argentina, na Costa Rica, no Chile, no Equador, no México, no Panamá, em Singapura e será a primeira do Ocidente a chegar à China.

O imunizante da Moderna tem uma eficácia comprovada de 94,5% contra a covid-19 e também utiliza mRNA, mas tem a vantagem sob a concorrente norte-americana-alemã de poder ser mantido a 20ºC negativos, bastando um congelador doméstico para isso. Cada dose deve ser tomada com 28 dias de diferença.

Este laboratório espera ter 100 milhões de doses produzidas no primeiro trimestre deste ano para distribuir globalmente. Contudo, os 160 milhões de doses que a UE adquiriu à Moderna, a receber entre o primeiro e o terceiro trimestres de 2021, representam o contrato mais pequeno assinado com as farmacêuticas.

De acordo com uma lista de preços alvo de uma fuga de informação da Secretaria de Estado do Orçamento belga, em dezembro, cada dose da Moderna custa 18 dólares (cerca de 15 euros), enquanto a da BioNtech-Pfizer sai a 12 euros, a da AstraZeneca-Universidade de Oxford a 1,78 euros, a da CureVac a 10 euros, a da Johnson & Johnson a 8,5 dólares (cerca de 7 euros) e a da Sanofi/GSK a 7,56 euros.

Depois de concluir um acordo para a aquisição de mais 300 milhões de doses adicionais da vacina da Pfizer-BioNTech (a juntar aos 300 milhões iniciais), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que as duas vacinas já autorizadas na UE garantem as doses necessárias para vacinar mais de 80% da população da UE.

Para breve

A vacina da AstraZeneca e Universidade de Oxford (Reino-Unido e Suécia) já está a ser usada no Reino Unido, na Índia, na Argentina e no México. A sua autorização condicional na UE já foi solicitada ao regulador europeu, que deverá anunciar uma decisão até 29 de janeiro.

Os resultados preliminares tinham mostrado uma eficácia média de 70% - proteção de 90% na dosagem menor (meia dose mais uma dose) e de 62% na dosagem maior (duas doses completas), diferença obtida por mero erro durante os testes. Mais tarde foi anunciada uma proteção de 100% contra as formas graves de covid-19.

Este imunizante tem ainda como grande vantagem, além do baixo preço, poder ser conservado em condições normais de refrigeração, entre 2ºC e 8ºC. É uma vacina de vetor viral (adenovírus) - usa como suporte outro vírus mais virulento, transformado para adicionar uma parte do SARS-CoV-2. Tem contratualizados 300 milhões de doses com a UE.

Em massa, deverão chegar a Portugal as primeiras vacinas da Janssen (EUA/Bélgica), do grupo Johnson & Johnson, como está a ser noticiado esta terça-feira. De acordo com o diretor médico da farmacêutica, Manuel Salavessa, as primeiras 1,25 milhões de doses da vacina desta companhia devem estar disponíveis em Portugal no segundo trimestre do ano (o compromisso é de 4,5 milhões de doses para 2021).

Este imunizante ainda não está a ser administrado em nenhum país. A Janssen espera ter os primeiros resultados de fase III de ensaios clínicos ainda este mês de janeiro, para submeter de imediato o pedido de autorização à Agência Europeia do Medicamento. O acordo com a Comissão Europeia prevê para este ano 200 milhões de doses com a opção de mais 200 milhões de doses adicionais, para a UE.

De todas as vacinas que se antecipa que vão liderar o mercado, esta parece ser a mais fácil de distribuir. Além de ser de dose única, exige uma temperatura standard de conservação (entre os 2ºC e os 8ºC).

A leste

Apesar de ainda não serem conhecidos os resultados da fase 3 dos ensaios clínicos, para além da vacina britânica, a Índia já está também a utilizar desde o início do ano a vacina da farmacêutica indiana Bharat Biotech. Desenvolvida em colaboração com institutos públicos, usa a tecnologia tradicional do vírus inativado.

Também a Rússia e a China adiantaram-se à conclusão dos ensaios clínicos em larga escala e começaram a distribuir as vacinas desenvolvidas nos seus territórios ainda em 2020. A russa Sputnik V, do Instituto Gamaleya (do Ministério da Saúde), já chegou entretanto à Bielorrússia e à Argentina, onde o seu uso foi aprovado no final de dezembro, seguindo-se em janeiro a Sérvia, a Argélia, a Bolívia e a Palestina. A Sputnik V é uma vacina de vetor viral que se baseia em dois adenovírus e demonstrou 91.4 % de eficácia.

Já a chinesa da Sinopharm (farmacêutica estatal) está a ser administrada na China, nos Emirados Árabes Unidos, no Bahrain, nas Seychelles e na Jordânia. Foi aprovada pela China, no final do ano, para uso generalizado, depois dos ensaios demonstrarem 79% de eficácia contra a covid-19. Também a outra vacina chinesa da Sinovac está a ser usada na Indonésia e na Turquia. Ambas usam o vírus inativado.

Outro imunizante que está a ser usado na China é o da CanSino Biologics, desenvolvido em parceria com a Academia de Ciências Médicas Militares. De apenas uma dose, foi aprovado para administração aos militares ainda em junho, antes de começarem os ensaios clínicos de larga escala.

Outra das vacinas em fase avançada é a da norte-americana Novavax, que deverá apresentar os resultados da III fase de testes até ao final do primeiro trimestre deste ano. Este imunizante de duas doses, baseado em proteínas, poderá ser conservado entre os 2ºC e os 8ºC. A Novavax é uma pequena empresa de biotecnologia que recebeu mais de 1,6 mil milhões de dólares do governo norte-americano para o desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19.

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