Covid-19

Agentes funerários dizem que nova norma para funerais vem "fora de tempo"

Agentes funerários dizem que nova norma para funerais vem "fora de tempo"

A possibilidade do caixão ser aberto durante a cerimónia fúnebre, para se permitir uma breve despedida dos familares, que decorre da atualização da norma da Direção -Geral da Saúde (DGS) para os funerais de vítimas de covid-19, é contestada pelos responsáveis das empresas lutuosas, que temem reações "por impulso" dos participantes.

Apesar da nova norma estabelecer recomendações para a abertura da urna, a pedido dos familiares e frisar que "o caixão deve preferencialmente manter-se fechado", os responsáveis das empresas lutuosas consideram que há muitas imprecisões.

"É uma medida fora do tempo, porque muda as regras em pleno estado de emergência, o que vai criar o caos nas próprias funerárias", adianta, ao JN, Vítor Teixeira, responsável da Associação dos Agentes Funerários de Portugal.

Vítor Teixeira perspetiva que as "famílias vão pedir todas a abertura do caixão" e receia o que daí pode resultar. "As pessoas estão em sofrimento e podem ter reações imprevistas, por impulso, como aproximarem-se ou mesmo agarrarem-se à urna. E quem vai estar lá para impedir que isto aconteça, ou para verificar se cumprem o distanciamento imposto?", questiona.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, os agentes funerários destacam que a norma da DGS é "vaga" e pouco esclarecedora. "É referido que se "houver condições", pode permitir-se a visualização do corpo". Mas quais condições? Não se especifica", destaca.

Vítor Teixeira acrescenta que, apesar de toda a gente estar ainda "em fase de aprendizagem" relativamente à covid, é "arriscado estar a mudar regras quando ainda estamos numa fase perigosa dos contágios". O responsável recorda que, apesar de o terem solicitado, os agentes funerários não foram incluídos na fase de vacinação onde entram bombeiros e outras entidades.

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"Pelo menos, poderiam ter esperado até que nós fossemos vacinados", adianta o representante dos agentes funerários.

Outro aspeto preocupa os responsáveis. "Como não podemos recorrer a práticas tanatopráxicas para preparar o corpo, é complicado estar a mostrar um rosto ainda com marcas de sofrimento", observa Vítor Teixeira.

Outra das recomendações contidas na norma, aconselha as agências a "uniformizarem a oferta de caixões, preferindo os modelos de mais fácil e rápida fabricação" e aponta como opção a opção por caixões com visor, para o caso das famílias que querem visualizar o rosto do falecido. Outra "incongruência", segundo Vítor Teixeira.

"Pedem que sejam modelos simples, mas com esta recomendação já estão a complicar, porque os caixões com visor são em acrílico, que não devem ser cremadas", observa.

A DGS recomenda, por outro lado, que os cemitérios e crematórios funcionem na sua capacidade máxima, preferencialmente "em horário e calendário alargado, o que deve ser assegurado pelas entidades responsáveis pela sua gestão".

Uma vez mais, as lutuosas levantam reservas, porque, justifica Vítor Teixeira, "cada Autarquia vai impor as suas regras". "Os atrasos que se verificam são nas cremações. Mas os crematórios poderiam funcionar ao domingo, o que não acontece", conclui.

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