Direitos humanos

Associações exigem nova votação aos eurodeputados sobre migrantes

Associações exigem nova votação aos eurodeputados sobre migrantes

"Estamos todos no mesmo barco" foram as palavras de ordem ouvidas esta sexta-feira na Avenida dos Aliados, centro do Porto, onde centena e meia passou um bote de salvamento de mão em mão, num protesto solidário. A iniciativa culminou no envio de mensagens aos eurodeputados portugueses para uma nova votação que viabilize a abertura de portos às organizações de resgate e o reforço das missões de salvamento no Mediterrâneo, após o Parlamento Europeu ter chumbado resoluções nesse sentido.

A "Humans Before Borders" (HuBB), organização de defesa dos direitos dos migrantes que envolveu nesta iniciativa outras associações, como por exemplo a AMI e a SOS Racismo, usou mais de mil pequenas velas para criar uma linha ao longo da qual os participantes na manifestação passaram o barco insuflável pelo ar, simulando as ondas do mar e o apoio aos migrantes.

"É responsabilidade nossa proteger os migrantes e garantir que façam a travessia de forma segura, sem perder a vida", explicou Paula Cruz, de 27 anos, membro da HuBB e médica humanitária que esteve em julho e agosto em missão no Mediterrâneo.

Por sua vez, Joana Manarte, da mesma organização, anunciou o envio de emails a todos os eurodeputados portugueses. No protesto que foi motivado pelo chumbo no Parlamento Europeu das resoluções sobre mecanismos de proteção de vidas no Mediterrâneo (incluindo com votos contra de eleitos portugueses), explicou ao JN que a mensagem consiste num pedido de nova votação que se centre em três pontos. E todos os participantes foram desafiados a enviar também as suas mensagens aos eurodeputados portugueses, acedendo para tal ao código QR disponibilizado pela associação HuBB nos panfletos que distribuiu.

Uma das três exigências destacadas é a abertura de portos para as organizações não-governamentais (ONG) de resgate. Reclamam também o alargamento das medidas de busca e salvamento no Mediterrâneo. O terceiro ponto prende-se com o cessar imediato dos acordos entre a União Europeia e a Líbia, "que resultam em graves atentados aos direitos humanos".

"São 17 mil pessoas no fundo do mar porque a Europa não as quis salvar", denuncia a HuBB, referindo-se aos números de mortes nos últimos anos na travessia daquele mar.

No protesto do Porto esteve Mory Camara, refugiado oriundo da Guiné-Conacri que procurou trabalho na Líbia. Foi perseguido por amigos e familiares devido às suas escolhas religiosas.

O Bloco de Esquerda também se fez representar, com o deputado Luís Monteiro a lamentar as "votações vergonhosas de eurodeputados portugueses" e a repetir as críticas que a bloquista Marisa Matias fez a Nuno Melo, do CDS, Álvaro Amaro e José Manuel Fernandes, do PSD, por terem inviabilizado uma resolução que previa o reforço das políticas de salvamento. Estes eleitos já vieram, por sua vez, recordar que Marisa Matias chumbou igualmente propostas apresentadas por forças políticas ligadas à direita parlamentar que iam no mesmo sentido.

Luís Monteiro recordou que "a solidariedade não tem fronteiras" e esta "é uma ideia fundadora da Europa". Aos responsáveis comunitários, e em particular à Comissão Europeia, exige que castiguem quem não cumpre as quotas de receção dos refugiados e não apenas os incumpridores do défice". Insiste ainda que se aposte num programa de apoio aos refugiados articulado entre todos os estados.

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