Discriminação

Associações LGBT têm apoio contra violência

Associações LGBT têm apoio contra violência

Três associações de apoio à população LGBT (Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero) vão receber financiamento do Estado para apoiar vítimas de violência, de crimes de ódio, de bullying ou de discriminação.

A ILGA e a Casa Qui, em Lisboa, e a Associação Plano i, em Matosinhos, assinam hoje cartas de compromisso com a Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade.

As associações vão criar ou reforçar equipas para acompanhar vítimas de violência. Em Matosinhos, nas antigas instalações da câmara, a Plano i terá uma equipa para dar apoio psicológico, social e jurídico a pessoas vulneráveis devido à sua orientação sexual e identidade de género. "A partir de dezembro, vamos ter uma equipa multidisciplinar, que poderá articular a nossa resposta com outras entidades", disse a presidente Sofia Neves. Será o Centro Gis, em homenagem a Gisberta, a transexual assassinada em 2006, no Porto.

Em Lisboa, a ILGA já tem um espaço e uma linha telefónica, através dos quais encaminha as pessoas para organizações como a Associação de Apoio à Vítima (APAV). Ana Aresta, vice-presidente, explicou que será criado um serviço de apoio, com técnicos capazes de apoiar a população LGBT. "Houve um avanço significativo na lei, mas a sociedade tem um claro problema de discriminação", lamenta. A ILGA quer ainda criar um fórum onde técnicos possam adquirir competências para trabalhar com as questões específicas deste público.

Também em Lisboa, a Casa Qui vai dedicar-se a jovens entre os 16 e os 30, e a situações específicas de abuso, como violência no namoro, explicou a diretora executiva Rita Paulos. "Queremos que nos peçam ajuda sem medo", afirmou.

Os acordos serão anuais, renováveis, e cada associação vai receber 37 mil euros, adiantou a secretária de Estado Catarina Marcelino. "Não se trata de um projeto-piloto, entendemos que a população LGBT vítima de violência e discriminação deve ter uma resposta apropriada", afirmou.

Em 2015, a ILGA recebeu 158 denúncias de crimes ou incidentes de violência. Um quinto das vítimas tem menos de 18 anos.