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Associações pedem mais "reenchimento" nas lojas

Associações pedem mais "reenchimento" nas lojas

Consumidores estão disponíveis para reduzir resíduos, mas faltam opções no mercado.

As associações Deco, Zero, ANP|WWF, Sciaena e Lin- ked.Green uniram-se para lançar hoje, véspera do Dia Mundial da Terra, um manifesto que desafia os retalhistas a disponibilizarem produtos de limpeza e higiene pessoal a granel, permitindo a reutilização das embalagens através de reenchimento em loja.

Apesar de a legislação já permitir o comércio de bebidas em embalagens reutilizáveis e de produtos a granel, "os consumidores ainda não beneficiam de um mercado que lhes permita adquirir, nestes moldes, produtos de limpeza e higiene pessoal, forçando-os a optar por novas embalagens e aumentando, assim, a sua produção de resíduos", o que coloca em causa as metas nacionais da sustentabilidade, escrevem as associações.

Vontade não falta à população, a avaliar pelos resultados de um inquérito sobre sustentabilidade e a experiência de algumas lojas especializadas.

A Zero Plástico, no Porto, um projeto das irmãs Catarina e Rita Leitão, é disso exemplo. Por ali entram clientes de todas as idades, que aderiram facilmente à ideia.

Entre outras coisas, a loja vende detergente líquido para a roupa, amaciador de roupa, detergente multiusos, líquido para lavar louça, vinagre de limpeza, wc creme, álcool-gel, dois champôs e um amaciador. Os produtos estão em bidões grandes e os clientes devem levar embalagens para encher, um gesto que vai ao encontro da ideologia das irmãs, que não gostam do "usa e deita fora". "Não há grande diferença de preço em relação aos que se vendem já embalados. Alguns até são mais baratos", assegura Catarina Leitão.

Assinar a petição

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O lançamento do Manifesto acontece hoje, às 21 horas, através de um direto que pode ser visto nas páginas de Facebook de todas as organizações envolvidas. A população vai ser convidada a assinar o Manifesto Refil (voltar a encher) no site www.peticaopublica.com.

O documento fica disponível para assinar, pelo menos, até ao final da primavera. Depois será enviado "para as principais cadeias retalhistas e Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, para os desafiar a disponibilizarem este tipo de soluções", explica Carolina Gouveia, da Deco, frisando que "não há legislação que impeça" a venda de detergentes e produtos de cosmética a granel, mas também "não há qualquer obrigação".

O reenchimento é um processo "muito amigo do ambiente", que permite a redução de resíduos e não tem custos ambientais extra nem deslocações acrescidas para a higienização das embalagens, já que isso é feito pelas pessoas", explica Susana Fonseca, da Zero.

"Há uma parte da população que já procura estas soluções e não as encontra, a não ser que vá a lojas especializadas". E há, também quem "poderia aderir se estes produtos estivessem acessíveis com facilidade e houvesse incentivos, nomeadamente a nível do preço", acrescenta a ambientalista.

INQUÉRITO

70% dispostos a encher embalagens

Os resultados do 2.º Grande Inquérito sobre Sustentabilidade - realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa - parceiro da Missão Continente - revelam a preocupação da população em Portugal com os produtos descartáveis, particularmente o plástico. A maioria dos inquiridos dizem já colocar em prática ou disponíveis para levar as embalagens quando vão às compras. No que diz respeito a voltar a encher embalagens de produtos de higiene e limpeza, 71% dizem estar disponíveis. No entanto, estas práticas mais sustentáveis ainda não estão acessíveis em todos os comércios. Quanto a levar embalagem para comprar peixe/carne, 82% respondem positivamente. Para frutas e legumes são 90%. Cerca de 83% estão disponíveis para comprar produtos em embalagens reutilizáveis e 80% produtos a granel.

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