Defesa

Associações questionam ministra sobre falta de efetivos nas Forças Armadas

Associações questionam ministra sobre falta de efetivos nas Forças Armadas

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) enviou na terça-feira um ofício à ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, sobre a "preocupante diminuição dos quantitativos militares no 1º trimestre de 2022". A missiva foi também remetida, para conhecimento, ao Presidente da República, aos líderes dos grupos parlamentares e aos chefes militares.

No documento, subscrito pelo presidente daquela associação socioprofissional, tenente-coronel António Mota, e a que o JN teve acesso, os oficiais alertam para a "preocupante redução de 514 militares no primeiro trimestre de 2022" e "com base nos dados oficiais da Direção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP)", dão conta de que existem, "à data de 31 de março, 25 616 militares para as diversas solicitações imediatas". Um número que fica bastante aquém dos 32 077 efetivos autorizados pelo Governo para este ano.

Face à diminuição de efetivos que há anos se regista, a AOFA sublinha que "além das medidas, da importância e da urgência das mesmas, se estas não tiverem força suficiente para restabelecer a confiança dos militares no futuro, o êxodo continuará, apesar das prováveis singelas medidas que venham a ser tomadas".

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Já no início desta semana, a Associação Nacional de Sargentos (ANS) reuniu com a ministra da Defesa - a AOFA e a Associação de Praças já tinham sido ouvidas por Helena Carreiras -, expondo os problemas com que se debatem os militares. "A grande dificuldade reside essencialmente na base da estrutura, nas praças e jovens sargentos", vinca o presidente da ANS, sargento-mor António Lima Coelho, que considera fulcral a aposta na atratividade da carreira e na retenção dos militares nas fileiras.

Uma das propostas apresentadas pela ANS é a "alteração do estatuto dos militares das Forças Armadas, no sentido de melhorar as condições de trabalho", estando ainda no horizonte da associação uma "proposta de alteração do regime remuneratório dos sargentos". Igualmente importante seria modificar as regras da Assistência na Doença aos Militares (ADM). "Os militares podem ser acionados disciplinarmente se negligenciarem a sua saúde, e é quase esquizofrénico que o Estado Português exija essa prontidão e que sejamos nós a pagar", critica o líder da ANS.

"Também defendemos que deve ser claramente transmitido aos jovens que vir para as Forças Armadas não é uma alternativa de emprego. É um serviço à nação que nem todos têm capacidade para cumprir. É um serviço, não é um emprego, e passar a ideia de que isto é uma alternativa de emprego é enganar os jovens e as famílias", aponta Lima Coelho.

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