Covid-19

Aumento de mortes atrasa fim do uso de máscara

Aumento de mortes atrasa fim do uso de máscara

O aumento da mortalidade por covid-19 referente aos últimos 14 dias deixa mais longe a data em que vão ser levantadas as restrições em vigor, como o uso de máscara obrigatório em espaços fechados.

Nos últimos 14 dias, morreram 295 pessoas devido à covid-19 em Portugal. Este número representa uma incidência de 28,6 óbitos por milhão de habitantes, o que significa que se mantém "a tendência crescente observada a partir da segunda quinzena de março", confirma a DGS e o Instituto Ricardo Jorge, no relatório semanal de monitorização da situação epidemiológica, divulgado esta sexta-feira.

A incidência da mortalidade afasta-se, assim, da meta de 20 mortes por milhão de habitantes a 14 dias que, juntamente com a meta de menos de 170 camas ocupadas em Unidades Cuidados Intensivos (UCI), serve de referência ao Governo para levantar as restrições que ainda permanecem em vigor. Isto, apesar de o número de mortes ter descido de 150 para 145 na última semana. Tal como o Ministério da Saúde confirmou ao JN, o "levantamento das restrições" só acontece quando o país registar "menos de 20 mortes por milhão de habitantes em 14 dias" e "menos de 170 camas em UCI ocupadas por doentes infetados".

O número de internados em Unidades de Cuidados Intensivos foi, em média, de 60 pessoas na última semana, o que representa uma redução de 2% face à semana anterior e já cumpre a meta definida pelo Governo. Na parte dos óbitos é que Portugal está aquém. A covid-19 continua a ser mais fatal entre as faixas etárias mais elevadas, dado que nos últimos sete dias não houve qualquer morte em cidadãos com menos de 40 anos e, do total de óbitos, cerca de dois terços foram registados entre a população com 80 ou mais anos.

Entre os 145 falecimentos registados nos últimos sete dias, mais de um terço (52) foi em Lisboa e Vale do Tejo. Segue-se a região Centro (34), Norte (22), Alentejo (12), Madeira (nove), Algarve (oito) e Açores (seis). A boa notícia é que quase todos os outros indicadores demonstram um decréscimo da presença do vírus em Portugal.

Casos e r(t) a baixar

O número de casos de infeção baixou de 681 por 100 mil habitantes para 602, com "tendência decrescente em todas as regiões à exceção dos Açores", indica o relatório. Nesta Região Autónoma, a subida foi de 23% face à semana anterior. O Norte é a região com menor incidência (354 p/100 mil habitantes) e a Madeira é a região com maior (1489).

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O R(t), ou índice de transmissibilidade, também passou de 0,97 para 0,95, mantendo uma tendência de decréscimo que pode resultar em números mais favoráveis nas próximas semanas.

Já a percentagem de infetados que tiveram de ser internados subiu de 0,13% para 0,14%, o que, ainda assim, é "inferior aos observados em ondas anteriores, indicando uma menor gravidade da infeção do que a observada anteriormente", sublinham.

O boletim da DGS desta sexta-feira dá conta que 61% da população portuguesa já tomou a dose de reforço da vacina contra a covid-19. Com o esquema vacinal primário há 92%.

O número de doentes infetados que estão internados em enfermaria está nos 1110, o que representa menos de 70 face à semana anterior. Em UCI são 60, menos um do que antes.

A mortalidade geral encontra-se dentro de valores esperados para a época do ano. Está ligeiramente acima dos 2000 óbitos a cada cinco semanas, abaixo do limite máximo esperado.

A linhagem BA.2 da variante ómicron já representa 98% do total de casos de infeção por SARS-Cov-2 em Portugal. Os outros 2% são da linhagem BA.1 da mesma variante.

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