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Aumento do cibercrime obriga à sensibilização dos utilizadores

Aumento do cibercrime obriga à sensibilização dos utilizadores

O cibercrime aumentou em Portugal, no primeiro semestre deste ano, 23% em relação a igual período do ano passado e 124% face a 2019, e os utilizadores são o elo mais fraco em ataques como o "ransomware", sendo necessária a sua sensibilização. De acordo com Agustín Muñoz-Grandes, presidente executivo da empresa de cibersegurança S21sec, "o cibercrime encontrou outras formas de atacar empresas".

O especialista em cibersegurança revelou que, nos últimos anos, "o que temos visto é que o cibercrime encontrou outras formas de atacar empresas, como o 'ransomware', que se tem tornado, infelizmente, muito popular".

De acordo com um boletim do Centro Nacional de Cibersegurança, os incidentes registados no primeiro semestre deste ano aumentaram 23% em relação ao mesmo período de 2020 e 124% face aos primeiros seis meses de 2019, significando que o confinamento teve "de forma clara efeitos" nos ciberataques.

Segundo Agustín Muñoz-Grandes, "para eles [cibercriminosos] não é tão complexo como comprometer um banco grande, em que têm de atravessar muitas medidas de proteção contra o cibercrime e o 'ransomware' tem-se tornado muito industrializado", explicou à Lusa.

"Os criminosos podem enviar milhões de 'emails' com um ficheiro infetado com vírus e podem enviar uma fatura falsa a dizer 'olha, aqui está a tua fatura pela compra de uma música na semana passada'. Todos nós podemos ser um alvo de abrirmos esse ficheiro anexo e isso infetar o nosso computador, e, se usarmos o computador da empresa, poderão usar o nosso computador para comprometer o máximo que conseguirem da rede local", referiu.

O 'ransomware' impede os utilizadores de acederem ao sistema ou ficheiros pessoais até ao pagamento de um resgate para voltarem a poder acedê-los, mas "há um conjunto de ações que podemos adotar para combater o 'ransomware'", disse.

Segundo aquele especialista, o primeiro passo é sensibilizar e educar os utilizadores para essas ameaças e vulnerabilidades.

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É importante treinar a perceção e educar as pessoas sobre como utilizar a tecnologia de forma apropriada, como detetar fraudes ou 'emails' fraudulentos e quais são as melhores práticas, uma vez que "as estatísticas demonstram que mais de 70% dos ataques começam por alguém abrir um anexo infetado" e que o utilizador é considerado o elo mais fraco.

"Imaginemos que alguém está a trabalhar de casa, ligado à empresa através da VPN [rede privada virtual] e abre um ficheiro infetado, isso pode comprometer toda a rede. O que nós fazemos é monitorizamos o tráfego, detetamos se algum portátil no sistema está a comunicar com uma potencial ameaça e, assim, podemos neutralizar o ataque antes de o 'ransomware' se espalhar por toda a rede", explicou.

A S21sec foi uma das primeiras empresas a entrar no ramo da cibersegurança na Península Ibérica, sendo considerada uma das pioneiras no mercado. Em 2016, a Sonae tornou-se a sua acionista maioritária, pretendendo construir uma líder europeia na cibersegurança.

Para o futuro, Muñoz-Grandes acredita que as novas ameaças estarão relacionadas com as redes de quinta geração (5G).

"As ameaças que prevemos estão relacionadas com as redes 5G e com o uso alargado da Internet das Coisas (IoT), que será algo que teremos de acompanhar, porque poderá abrir a porta a novos ataques", concluiu.

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