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Autarcas descontentes com critérios do Governo no desconfinamento

Autarcas descontentes com critérios do Governo no desconfinamento

Os presidentes das câmaras de Moura e de Rio Maior, que vão retroceder no desconfinamento, e o de Beja, que vai ficar na segunda fase, não concordam com as respetivas medidas impostas pelo Governo devido aos baixo número de casos ativos que os concelhos registam. Consideram que a decisão vai prejudicar ainda mais as economias locais.

Álvaro Azedo, presidente da Câmara Municipal de Moura, antevia que a situação não ia ser fácil para o concelho. Porém, considerou a forma de cálculo, que coloca o município no patamar dos concelhos com uma incidência a 14 dias igual ou superior a 240 casos por 100 mil habitantes como "completamente absurda".

"O país não é todo igual. Esta forma de cálculo prejudica bastante os concelhos mais pequenos", disse esta quinta-feira.

Segundo o autarca, em declarações à RTP, o concelho contava hoje com 17 casos ativos diagnosticados. "As cadeias de transmissão estão completamente identificadas e controladas", frisou adiantando que Moura é dos municípios que testes realiza a nível nacional e que a situação "não está descontrolada".

Ao regredirem ao primeiro nível de desconfinamento, conforme anunciado ao final desta tarde pelo primeiro-ministro, António Costa, o comércio de bens não essenciais regressa às vendas ao postigo e nos restaurantes e similares apenas são permitidas as vendas para fora.

"Os nossos pequenos negócios vivem das pessoas desta terra. As esplanadas, restaurantes, tiveram uma forma de voltar a trabalhar com muita dificuldade [nas últimas duas semanas]. Lamento que não tenha sido considerado todo o esforço dos últimos tempos", lamentou o autarca.

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Filipe Santana Dias, presidente da Câmara de Rio Maior, considerou que do ponto de vista económico, a medida, "é desastrosa" e um grande retrocesso "para as pequenas e médias empresas que vivem da caixa registadora", e que há uma ano se encontram em "esforço contínuo".

Segundo o autarca, Rio Maior está com uma "evolução favorável", com 33 casos ativos na comunidade, à data de hoje, num universo de 21 mil habitantes. A 1 de fevereiro, revelou, também na televisão pública, o concelho registava 647 casos ativos, o que dava uma incidência de 3 mil casos por 100 mil habitantes.

"Aí sim, era uma situação de saúde pública grave". Agora considera que é preciso manter o discernimento, e que este cálculo "prejudica em muito os concelhos de baixa e média densidade".

"Espanto e grande surpresa"

Já o presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio, disse estar "incrédulo" com a classificação do concelho, no patamar dos 120 casos por 100 mil habitantes, que o impede de passar à terceira fase de reabertura.

Segundo o autarca, o concelho tem 24 casos ativos. E os dados de que o município, autoridade regional de saúde e o hospital local dispõem apontam para uma taxa de incidência entre 1 e 14 de abril para 101 casos por 100 mil habitantes. Com dias sem nenhum caso diagnosticado nesse período.

"Beja fica claramente abaixo dos 120 casos", sublinhou, acrescentando que o número de infetados tem vindo a descer significativamente. "Não há surtos ativos no concelho e todas as cadeias de transmissão que existem são de pequena dimensão e estão identificadas pelas autoridades públicas de saúde".

"A Direção-Geral da Saúde terá de explicar muito bem como é que coloca Beja no acima dos 120 casos para os últimos 14 dias", sublinhou, manifestando uma reação de "espanto e de grande surpresa".

Para a economia local, Paulo Arsénio classifica a medida como "absolutamente devastadora". "Restauração, hotelaria, um conjunto de atividades que ficam seriamente prejudicadas e com situações de 'lay-off' no limite vai ser um problema muito sério".

O edil elogiou o "comportamento global positivo" da população, que conseguiu que os casos ativos baixassem mesmo nas duas primeiras fases de desconfinamento, mesmo com situações pontuais de desrespeito pelas regras e lamentou que os cidadãos sejam agora penalizados.

Por sua vez, o presidente da Câmara de Alandroal, João Grilo, considerou "injusto e penalizador" o seu concelho não passar à fase seguinte do desconfinamento, devido à evolução da covid-19, defendendo que deviam ser refletidos "os dados mais recentes".

"Atendendo às circunstâncias concretas" do caso de Alandroal, "é injusto e penalizador, mas entendeu-se que devia ser este o critério para o país e temos que aceitar e seguir em frente", afirmou o autarca, em declarações à agência Lusa.

João Grilo adiantou que, no concelho de Alandroal, foram registados, nos últimos 14 dias, "quatro casos" de covid-19, pelo que, em termos cumulativos, este território está "abaixo dos 120" casos por 100 mil habitantes.

"Poderíamos ter ficado de fora" da manutenção das restrições da segunda fase de desconfinamento "se fosse tido em conta os dados mais recentes", atirou, advertindo que o método adotado penaliza os concelhos mais pequenos.

O autarca referiu que "o mais provável" é que os quatro casos de covid-19 tenham "alta até segunda-feira", notando que o concelho corre o risco de "não ter um único caso ativo" nessa data e, mesmo assim, ficar de fora da terceira fase de desconfinamento.

"Isto não ajuda a que, depois, as pessoas tenham uma perceção da justiça das medidas e também não ajuda a explicar no terreno como é que elas devem ser cumpridas", salientou, garantindo, contudo, que as restrições vão ser cumpridas.

Os concelhos de Moura, Odemira, Portimão e Rio Maior vão regressar à primeira fase de desconfinamento, que entrou em vigor a 15 de março, e os de Beja, Alandroal, Albufeira, Carregal do Sal, Figueira da Foz, Marinha Grande, Penela, mantém as regras atuais instauradas a 5 de abril.

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