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Autarcas dizem que serra da Estrela "continua viva"

Autarcas dizem que serra da Estrela "continua viva"

Os autarcas da região da serra da Estrela, que foi atingida pelos incêndios, assumiram, esta quinta-feira, que a região "continua viva, apesar de ter sido muito fragilizada", e desafiaram os portugueses e os estrangeiros a conhecerem o território.

"As pessoas, agora, estão traumatizadas e, com as imagens que viram nas televisões, acham que o território está de negro. Há ainda muito território verde, felizmente. Há muita gastronomia excelente para saborear, há muito vinho ótimo do Dão e não só, da Beira Interior Norte, para beber. E não só. Há paisagem verde, ainda, para observar e sensoriar", disse hoje o presidente da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE).

Luís Tadeu, que também é o presidente da Câmara Municipal de Gouveia, falava aos jornalistas no final de uma reunião com a secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Rita Marques, realizada em Manteigas, no distrito da Guarda, com autarcas, entidades de desenvolvimento regional e agentes económicos da região do Parque Natural da Serra da Estrela, para avaliar o impacto dos recentes incêndios florestais, identificar os principais constrangimentos e delinear futuras medidas de prevenção.

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Na opinião do presidente da CIM-BSE, é preciso "desmistificar, perante as pessoas que podem estar a pensar" em visitar a região, "mas que perderam a vontade, agora, com o incêndio".

"Nós continuamos cá, continuamos vivos, a nossa serra continua viva, apesar de ter sido muito fragilizada, mas temos muita riqueza para continuar a mostrar. E, sobretudo, temos uma hospitalidade como ninguém. E, por isso, só esperamos que as pessoas nunca percam a vontade de vir conhecer este seu território, que também é delas, sejam nacionais, sejam estrangeiras (...). Nós estamos cá de portas abertas para as receber, e bem receber. Venham elas e serão recebidas de braços abertos", afirmou.

Luís Tadeu referiu que, neste momento, "há muitas urgências", não só na parte da promoção, como em outras áreas.

Sobre a promoção, disse que foi muito abordada na reunião de hoje e que a secretária de Estado Rita Marques "tomou boa nota e que vai colocar como uma das ações fundamentais não só para agora, para o imediato, mas para o curto e médio prazo".

Já o presidente da Câmara de Manteigas, Flávio Massano, disse que o concelho depende do turismo e que os prejuízos são difíceis de quantificar, porque não se consegue perceber quantas pessoas vão deixar de visitar o território.

"Aquilo que nós pretendemos, municípios e Governo, é pôr medidas práticas no terreno, o quanto antes, para que esse efeito nefasto não se faça sentir durante muito tempo e seja apenas agora uma questão de curto prazo", afirmou.

Flávio Massano também disse esperar que o estudo independente responda por que razão um incêndio que esteve em vigilância ativa em Vale de Amoreira tenha sido reativado e tenha destruído mais nove mil hectares.

"As pessoas que aqui vivem merecem o nosso respeito e merecem respostas concretas sobre o porquê, o quando e como é que aconteceu este incêndio", vincou.

No final da reunião, o empresário Luís Veiga, da Covilhã, disse que uma das medidas sugeridas ao Governo foi a possibilidade de as portagens nas autoestradas da região serem suspensas "com efeitos imediatos".

A serra da Estrela foi afetada por um incêndio que deflagrou no dia 6 de agosto em Garrocho, no concelho da Covilhã (distrito de Castelo Branco) e que foi dado como dominado no dia 13.

O fogo sofreu uma reativação no dia 15 e foi considerado novamente dominado no dia 17 do mesmo mês, à noite.

As chamas estenderam-se ao distrito da Guarda, nos municípios de Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira, e atingiram ainda o concelho de Belmonte, no distrito de Castelo Branco.

No dia 25, o Governo aprovou a declaração de situação de calamidade para o PNSE, afetado desde julho por fogos, conforme pedido pelos autarcas dos territórios atingidos.

A situação de calamidade foi já publicada em Diário da República e vai vigorar pelo período de um ano, para "efeitos de reposição da normalidade na respetiva área geográfica".

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