Concelhos de risco

Autarcas pedem mais apoios se houver novas restrições

Autarcas pedem mais apoios se houver novas restrições

Há 28 concelhos com mais de 960 novos casos de covid-19 por 100 mil habitantes, em 14 dias, que deverão ter medidas mais apertadas para conter a pandemia. Autarcas de alguns destes municípios mostraram o seu desagrado. Querem compensações proporcionais às restrições e uma avaliação à sua eficácia.

A ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu que serão aplicadas "medidas mais incisivas", em entrevista esta quarta-feira ao podcast "Política com Palavra", do PS, mas não antecipou nenhuma das que deverão ser anunciadas após o próximo Conselho de Ministros.

O JN ouviu os autarcas de alguns destes concelhos, que disseram não terem sido contactados pela tutela sobre possíveis medidas a aplicar. Há vozes a mostrar desagrado a mais constrangimentos.

Pedro Machado, da Câmara de Lousada, um dos três primeiros municípios a ser alvo de medidas mais apertadas - desde 23 de outubro - disse estar "perplexo" com as palavras da governante. "Não aceito e não percebo que seja equacionada a possibilidade".

O presidente sublinha que o concelho está "no bom caminho e a baixar", citando dados da Administração Regional de Saúde do Norte, que indica a redução de 149 casos (a 14 de novembro) em relação aos sete dias anteriores. O autarca socialista considera que se no início o sentimento era de "injustiça", passa desta forma a ser de "revolta".

"As pessoas percebem quando as medidas são universais mas não quando há discriminação", diz, considerando que as medidas agora em vigor devem ser ajustadas, para salvar o setor da restauração "que está em agonia", e questiona a sua eficácia.

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Discriminação positiva

No vale do Ave, os presidentes das Câmaras de Guimarães e Famalicão ainda não foram informados pelo Governo, apesar de ambos os concelhos estarem acima dos 960 casos positivos, registados nos últimos 14 dias.

"Soube pela comunicação social", adiantou Paulo Cunha (PSD), de Famalicão. O autarca famalicense não se opõe à discriminação de concelhos nas medidas de restrição, no entanto defende que deve ser acompanhada de "formas de compensar os operadores" dos municípios mais afetados.

Domingos Bragança (PS), de Guimarães, corrobora que o escalonamento de concelhos deve "corresponder ao aumento necessário dos recursos de saúde pública e de apoios às atividades económicas, também discriminados positivamente.

Por seu lado, Alexandre Almeida, autarca de Paredes (PS), defende que "antes de avançar com medidas mais gravosas, devia ser feita uma avaliação de como decorreram as medidas decretadas para os dois fins de semana", disse, referindo-se aos dias 14 e 15 e 21 e 22 de novembro.

Em Penafiel, o edil Antonino de Sousa (coligação PSD/CDS-PP)" apoia "todas as medidas que ajudem a controlar esta pandemia", mas pede que não sejam "soluções de navegação à vista".

"Não se compreende que, sem se perceber o impacto das medidas adotadas recentemente, se vão agora impor novas", frisa, acrescentando que "estar permanente a colocar e retirar medidas só tem o efeito de confundir a população e aumentar o sentimento de insegurança".

Manter capacidade dos serviços de saúde

Já o autarca de S. João da Madeira, Jorge Segueira (PS) considera "que a situação é de tal modo grave que se justifica a tomada de medidas", para não comprometer a capacidade dos serviços de saúde.

"Emiti esta semana um despacho afetando cinco funcionários municipais ao apoio aos serviços de saúde, que já estão a colaborar no reforço a respetiva capacidade de rastreio", revela, apelando "ao cumprimento das regras de segurança, de forma a ajudar os bombeiros, médicos e enfermeiros que estão a tratar da nossa saúde".

O JN procurou ainda ouvir os autarcas do Porto, Matosinhos, Felgueiras, Paços de Ferreira e Amarante, mas estes remeteram as reações para quando as medidas forem anunciadas.

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