Covid-19

Autarcas suplicam a Governo fecho de fronteiras

Autarcas suplicam a Governo fecho de fronteiras

"Não podemos adiar mais", clamam os municípios raianos. SEF está a sinalizar entradas e permanências no país. Açores pede suspensão dos voos, até os nacionais.

Os municípios raianos de Norte a Sul, que possuem pontos de passagem autorizada de fronteira, apelam ao Governo que avance com o fecho de portas, para travar o risco de disseminação do enorme surto do coronavírus que Espanha vive e que já infetou em Portugal 169 pessoas. Para os autarcas, torna-se injustificável não repor já as barreiras fronteiriças, depois de o Executivo espanhol de Pedro Sánchez ter decretado a quarentena geral.

António Costa revelou, ontem, que irá reunir-se hoje com Sánchez por teleconferência, de modo a concertarem medidas sobre o controlo sanitário na Península Ibérica, onde se conta a "gestão da fronteira comum dos dois países". A posição conjunta será levada à reunião dos ministros da Saúde e Administração Interna da União Europeia amanhã.

Num dia em que Lituânia se juntou a outros sete países do Espaço Schengen que fecharam fronteiras e em que Marrocos proibiu as ligações aéreas com Portugal [ler ficha ao lado], os presidentes de Câmara das raias - uns de forma isolada, outros em conjunto - lançaram um repto a Costa para que faça o mesmo.

Bragança a uma só voz

"Não podemos adiar uma ação mais musculada após a quarentena espanhola", disse, ao JN, António Barbosa, presidente de Monção, que considera "premente controlar a fronteira do Vale do Minho ". O autarca vizinho de Valença, Manuel Lopes, guia-se pelo mesmo diapasão: "O Governo está munido de mais informação e penso que sabe ser inevitável repor a fronteira".

De forma mais concertada, todos os municípios de Bragança enviaram ontem ao secretário de Estado da Administração Interna um pedido que vai no mesmo sentido, por temerem as entradas de Espanha e as saídas de portugueses.

"A epidemia está a alastrar-se e só vemos razões para fechar", admitiu Luís António Vitorino, de Marvão. Mais a sul, Conceição Cabrita, de Vila Real de Santo António, que conta com fronteiras terrestre e fluvial, considera ser "algo inadiável". "Infelizmente, afetará a hotelaria. Mas, a título pessoal, defendo que acima de tudo há que salvar vidas e controlar esta epidemia", disse a autarca.

Para já, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), explicou ao JN, que está a "identificar origens, locais de possível alojamento e tempo de permanência", no âmbito da "prevenção da propagação do Covid-19".

"O SEF atuará em conformidade com o Estado de Alerta, procurando garantir que os cidadãos cumpram as determinações de contenção e prevenção da propagação", frisou, ontem, horas após o Governo ter anunciado "ações pontuais" da GNR, SEF e Direção-Geral da Saúde (DGS) nos antigos pontos de passagem.

Em Vilar Formoso, o JN viu que, após a quarentena espanhola ser conhecida, o destacamento da GNR iniciou às 17 horas um controlo descontinuado de tráfego.

Madeira e Açores

Segundo Carlos Silva, presidente da Fénix - Associação Nacional de Bombeiros e Agentes de Proteção Civil, tais "ações pontuais já não chegam". "É preciso travar a propagação pela entrada de infetados e com a maior rapidez", disse.

Nas regiões autónomas, os governos endureceram a resposta ao declarar quarentena, sendo que os Açores pediram à República a suspensão de todos os voos - até os de ligação ao continente.

O gabinete do primeiro-ministro assegurou, ao JN, que foi dada conta aos governantes açorianos e madeirenses que amanhã haverá novas medidas concertadas em Bruxelas - de quem a Lituânia não esperou.

"A livre circulação na zona Schengen é um grande valor, mas, neste momento, é a maior ameaça", resumiu, ontem, a ministra do Interior da Lituânia.

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