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Portugueses de Wuhan de quarentena em dois hospitais de Lisboa

Portugueses de Wuhan de quarentena em dois hospitais de Lisboa

Os portugueses resgatados de Wuhan, e que chegaram este domingo à noite a Figo Maduro, num C-130 da Força Aérea, irão ficar sujeitos a um período de quarentena no Hospital Pulido Valente e no Parque Saúde, em Lisboa, anunciou a ministra da Saúde, Marta Temido. O grupo, onde estão duas cidadãs brasileiras, não irá ter visitas durante o seu isolamento.

O grupo de portugueses chegou a Figo Maduro pelas 20.30 horas, após transitar do A380 da Hi Fly, em Marselha, que o resgatou da China.

Os portugueses chegaram da Base Aérea de Istres-Le Tubé, onde pousaram ao início da tarde deste domingo e onde permaneceram algum tempo dentro da aeronave, já que os 65 cidadãos franceses que também resgatados tiveram prioridade no desembarque.

Com os portugueses viajaram duas cidadãs brasileiras, cujos apelos para saírem de Wuhan não sensibilizaram o Governo do Brasil - que decidiu não evacuar nenhuns dos seus cidadãos. O cansaço é generalizado, tendo em conta a espera de mais de seis horas no aeroporto de Wuhan, a que se juntou a viagem e ainda a espera em Marselha.

Miguel Matos, um desses portugueses, já tinha admitido, ao JN, antes do voo, a disponibilidade para se submeter a um período de isolamento. "Só espero que os portugueses não tenham medo de nós. Estamos disponíveis para a quarentena", disse, relatando que a própria família, do Norte do país, "vive numa enorme ansiedade" com todo este resgate a que o grupo foi submetido.

Ao JN, um outro português do grupo adiantou que foi rápido o contacto com as autoridades de saúde francesas e que entraram no C-130 que os traz, acompanhados de uma equipa de médicos e de técnicos da Direção Geral da Saúde (DGS).

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A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) estão a coordenar a operação de resgate.

O Ministério da Saúde irá fazer uma conferência de imprensa apenas após a chegada dos portugueses, adiantaram fontes do Governo ao JN. Isso poderá acontecer pelas 21 horas.

À chegada, os portugueses poderão ser divididos em dois grupos distintos. Um pode rumar ao Piso 3 do edifício Rainha Dona Amélia, no Pulido Valente, unidade do Centro Hospitalar Lisboa Norte, para um procedimento de quarentena - parte deles já adiantou aos elementos da Direção Geral de Saúde (DGS), que foram para Marselha, que tem disponibilidade para estar 14 dias em isolamento.

Um outro - a maioria - poderá seguir para Norte, de onde é oriunda. Mas fontes ligadas ao processo não confirmaram ao JN esta possibilidade, que os portugueses cujas famílias vivem a Norte equacionam, e se esse grupo mais alargado vai para as suas casas ou se ficará no Hospital Militar, no Porto. Ou ainda se permanecerá em Lisboa junto com os restantes.

Com 250 passageiros, o voo era esperado ali perto das 9 horas da manhã [locais francesas], mais uma hora do que em Portugal. Porém, com os atrasos que se foram verificando essa previsão ficou fora de questão.

Os portugueses são 17, e depois de terem passado como estava planeado pelo Consulado francês, onde foram esclarecidos sobre o vírus, rumaram ao aeroporto de Wuhan, para serem sujeitos a exames pelas autoridades chinesas. Quem acusasse estado febril não embarcaria no A380.

O JN soube que o grupo passou na íntegra pelos exames sem qualquer problema.

Refira-se que os portugueses foram recolhidos um a um pelo autocarro, em cada um dos domicílios, de acordo com as indicações dadas pela Embaixada de Portugal num grupo criado para o efeito no "WeChat", uma rede social chinesa.

Após algumas horas de espera no aeroporto de Hanói, no Vietname, devido à necessidade de autorização por parte das autoridades locais e chinesas, a aeronave portuguesa conseguiu rumar na manhã de sábado a Wuhan, no centro da China.

Esse percalço, que começou por volta das 10 horas da manhã de sábado, surgiu na sequência das relações tensas existentes entre o Vietname e a China.

A China elevou hoje para 304 mortos e mais de 14 mil infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei (centro).

As Filipinas anunciaram também hoje a morte de um cidadão de nacionalidade chinesa, vítima de uma pneumonia causada pelo coronavírus, a primeira vítima fatal fora da China.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há mais casos de infeção confirmados em 24 outros países, com as novas notificações na Rússia, Suécia e Espanha.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou na quinta-feira uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional (PHEIC, na sigla inglesa) por causa do surto do novo coronavírus na China.

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