Energia

Barragens do Alto Tâmega representam 1500 milhões de investimento

Barragens do Alto Tâmega representam 1500 milhões de investimento

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é um dos maiores projetos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos, contemplando a construção de três barragens, 1500 milhões de euros de investimento e a criação de 13500 empregos diretos e indiretos.

A concessionária espanhola Iberdrola fez esta quinta-feira, em Ribeira de Pena, distrito de Vila Real, uma apresentação pública do projeto, numa altura em que este "já avança em velocidade de cruzeiro".

Vão ser construídas em simultâneo três barragens, estando as obras mais avançadas em Gouvães e Daivões, enquanto na do Alto Tâmega se está na fase de montagem de estaleiro.

O secretário de Estado do Ambiente afirmou que vai estar atento ao cumprimento das medidas ambientais impostas à construção das barragens e considerou já não ser "o momento propício" para pôr em causa o projeto. Uma quarta barragem foi reprovada em sede de Estudo de Impacto Ambiental.

"A minha presença aqui é para dar a confiança de que as autoridades do ambiente vão estar muito atentas ao cumprimento daquilo que são as medidas preconizadas pela Declaração de Impacto Ambiental (DIA), porque isso é a garantia de que estão salvaguardados as principais questões ambientais", afirmou o secretário de Estado Carlos Martins.

Desde o início que o projeto tem sido muito contestado por ambientalistas e movimentos cívicos locais.

João Branco, presidente da Quercus, disse à agência Lusa que a associação continuará a contestar "este grave atentado ambiental por todos os meios ao seu alcance".

"A Quercus lamenta que o governo não tenha cumprido a sua promessa de rever o plano nacional de barragens. Lamenta ainda que os partidos de esquerda que sustentam o governo no parlamento tenham metido a contestação às barragens da Iberdrola na gaveta esquecendo as suas promessas eleitorais", acrescentou ainda o ambientalista.

Confrontado com as críticas às barragens, o secretário de Estado frisou que o empreendimento já vai a meio e que "já não é o momento propício para por em causa o seu andamento".

O governante lembrou que, em fase de discussão pública do projeto, houve oportunidade de apresentação contestação ao empreendimento e referiu que agora, neste momento, não lhe "parece que seja relevante estar aqui a discutir detalhes dessa natureza".

Para além do investimento de 1500 milhões de euros e da criação de cerca de 13500 postos de trabalho diretos e indiretos, Carlos Martins, sublinhou ainda que o projeto vai ajudar Portugal a cumprir os compromissos assumidos em Paris no sentido de reduzir a sua dependência de combustíveis fosseis.

De acordo com os dados apresentados pela Iberdrola, o Sistema Eletroprodutor do Tâmega "contribuirá para a redução da dependência energética nacional e para a redução das emissões de gases promotores de efeito estufa, que ocorre na produção de energia por queima de recursos fósseis".

Aumentará também, de acordo com a empresa, a "relevância das fontes renováveis e a diversificação das fontes de energia, e com a garantia de abastecimento, evitando a importação de mais de 160 mil toneladas de petróleo por ano e a emissão de mais de 1,2 milhão de toneladas de CO2 por ano".

O empreendimento hidroelétrico começou a ser projetado em 2007 e foi concessionado à Iberdrola em 2009. Segundo a empresa, as barragens do Alto Tâmega deverão estar concluídas em 2023 e o maior volume de trabalhos concentra-se entre os anos 2018 e 2020.

No ano passado, o Governo anunciou que decidiu cancelar a construção das barragens do Alvito e de Girabolhos, suspender por três anos a barragem do Fridão e manter a construção das barragens do Alto Tâmega, após concluir a reavaliação do Programa Nacional de Barragens.

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