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BE aceita repetir geringonça, Costa acusa partido de não ser "responsável"

BE aceita repetir geringonça, Costa acusa partido de não ser "responsável"

O líder do PS acusou o BE de se ter juntado "à Direita e à extrema-direita" para dissolver o Parlamento e de querer aumentar a dívida para obter a "bravata ideológica" de recomprar a Galp e a EDP. António Costa voltou a não esclarecer se prefere aliar-se à Esquerda ou à Direita após as eleições, referindo apenas que o BE não tem sido "responsável". A líder bloquista, Catarina Martins, insistiu que os socialistas serão forçados a negociar porque não chegarão à maioria absoluta.

"Quem em outubro de 2020, no momento mais grave da pandemia, decidiu romper com PS, PCP e PEV, falhando-nos no Orçamento do Estado de 2021, não teve uma atitude responsável", afirmou Costa. Evitando responder sobre se prefere aproximar-se da Esquerda ou do PSD para garantir a governabilidade, o socialista vincou que pretende "uma solução de estabilidade que o BE não oferece".

Mas, segundo Catarina Martins, já "toda a gente sabe" que o PS terá de ceder a algum dos lados para governar. "Vem exigir uma maioria absoluta, mas não a vai ter", vaticinou a bloquista. Lembrando os "quatro anos de estabilidade, conquista de direitos e crescimento" alcançados entre 2015 e 2019, desafiou Costa a repetir a receita: "Orgulho-me desse momento e voltaria a fazê-lo", referiu.

O apelo, contudo, não convenceu o líder do PS, que voltou a adotar a postura intransigente já demonstrada no debate com o líder do PCP. "Há dois BE: o que aparece na campanha eleitoral, que tem muito mel, e o que atua na Assembleia da República, que está cheio de fel", atirou António Costa.

Costa acusa BE de querer agravar dívida pública

Catarina Martins devolveu a acusação: apesar de o Governo ter prometido 30 milhões de euros aos cuidadores informais, "veio o fel" e a medida não foi executada. Afirmando que o país tem hoje menos médicos do que antes da pandemia, alertou: "Se nada for feito, o SNS estará moribundo daqui a quatro anos".

Costa lembrou que o OE chumbado previa mais 700 milhões para o SNS e que há mais 28 mil profissionais de saúde do que em 2015. Um número idêntico ao que tinha sido acordado antes da pandemia, contrapôs Catarina.

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Num debate cordial mas intenso, Costa guardou uma das principais cartadas para o fim: um dos obstáculos a um acordo é o BE querer emitir dívida pública para "fazer a bravata ideológica" de renacionalizar a Galp, a EDP, a REN, a ANA e os CTT. A operação, estimou, "agravaria a dívida pública em 14,5% do PIB".

"Talvez o PS ache normal que deva ser o Estado chinês a mandar na energia em Portugal", respondeu Catarina. O BE, pelo contrário, "não se resigna" e tem um plano "pagável" para recuperar essas empresas.

Comentando uma vez mais a situação da governabilidade do país, António Costa recusou estar a fazer "chantagem" aos portugueses. E, aludindo à situação que o país viveu em 1991, atirou: "Não sou o professor Cavaco. Ele é que disse que 'se não me derem a maioria absoluta vou embora".

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