Polémica Sérgio Figueiredo

Oposição não encerra caso e continua a exigir explicações de Medina

Oposição não encerra caso e continua a exigir explicações de Medina

A oposição considera que o caso da nomeação de Sérgio Figueiredo para o Ministério das Finanças não está encerrado e continua a carecer explicações de Fernando Medina e até do primeiro-ministro António Costa. Para a maioria dos partidos, a renúncia só ocorreu por pressão da opinião pública.

"Não absolve Fernando Medina de um processo reprovável nem António Costa de uma desresponsabilização inaceitável". É assim que o líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE) encarou, esta quarta-feira, a renúncia de Sérgio Figueiredo ao cargo de consultor do Ministério da Finanças.

Numa reação na rede social Twitter, Pedro Filipe Soares considerou, porém, "o desfecho inevitável". "Mostra como é possível travar os caprichos da maioria absoluta com a mobilização da opinião pública", sustentou o líder parlamentar do BE.

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Também o PCP considerou tratar-se de um "desfecho natural" para uma decisão da tutela baseada em "critérios discutíveis".

"Ele lá saberá", começou por reagir o membro da Comissão Política do Comité Central do PCP João Dias Coelho, quando questionado pelos jornalistas sobre a renúncia de Sérgio Figueiredo, durante uma conferência de imprensa, esta quarta-feira, na sede do partido, em Lisboa.

Para o dirigente comunista, "trata-se de um desfecho natural face a uma decisão baseada em critérios discutíveis, pela forma e pelo conteúdo".

A IL concorda que a "desistência de Sérgio Figueiredo não apaga a tentativa e desejo de Fernando Medina em devolver a contratação passada." "Não apaga a forma despudurada como o PS usa e abusa o dinheiro dos contribuintes. Não apaga a forma como o PS recorre aos ajustes diretos para contornar o escrutínio. Não apaga a forma como o PS desconsidera os serviços da administração pública", escreveram os liberais, em comunicado.

Para o partido de João Cotrim de Figueiredo, Costa também é visado: "Não apaga que o primeiro-ministro tenha afirmado que o assunto estava morto e enterrado. E não apaga mais um episódio demonstrativo em como o PS se confunde com o Estado, achando que o Estado é um meio para os seus fins de poder absoluto".

De igual modo, o Chega considera que "há explicações que continuam por dar". "A pressão pública e o sentimento de imoralidade do seu vencimento, perante os restantes funcionários públicos, mesmo do Ministério das Finanças, assim o ditavam", considerou o partido de André Ventura, em comunicado.

"Há, no entanto, explicações que continuam por dar", prossegue o Chega, reiterando "o pedido que fez à Inspeção-Geral das Finanças para uma investigação aos pagamentos efetuados entre Medina e Figueiredo e se em algum momento houve alguma espécie de troca de favores".

Por sua vez, a porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, considerou que o desfecho desta quarta-feira demonstra "o facto de a sociedade portuguesa estar cada vez mais desperta para este tipo de situações e exigir, por isso, uma maior transparência e rigor por parte de titulares de cargos políticos ou públicos".

"É por este tipo de valores que se deve reger, sem exceção, o exercício de funções políticas ou públicas, pois que, sob o signo da transparência, é a credibilidade da própria democracia que sai reforçada. Tendo por base este entendimento, o PAN deu entrada no dia 9 de um projeto de lei que, mediante a regulamentação da atividade de lobbying, visa trazer novos mecanismos de transparência aos ministérios (como a agenda pública ou a pegada legislativa), o que vai, sem dúvida, ajudar a combater a possível opacidade neste tipo situações", recordou Inês Sousa Real.

Já o grupo parlamentar do PS recusou fazer qualquer comentário sobre o desfecho da polémica nomeação do antigo diretor de informação da TVI ao cargo de consultor do ministro das Finanças.

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