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Debate quinzenal

BE critica Governo por falta de investimento na Saúde

BE critica Governo por falta de investimento na Saúde

Catarina Martins acusou o Governo, esta terça-feira, de ter deixado de investir 385 milhões de euros na Saúde para "cumprir metas" do défice, que nem sequer foram pedidas por Bruxelas.

No Parlamento, a líder do BE assegurou que duas décimas do défice são essenciais para o setor, principalmente quando 600 médicos especialistas aguardam por um cabimento orçamental para entrar no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Apesar de António Costa ter garantido, no primeiro debate quinzenal de 2018, que o SNS não foi negligenciado, perante o défice histórico com que o país pode ter acabado em 2017, a bloquista lembrou o primeiro-ministro que o setor precisa "recuperar mil milhões" para poder estar ao nível de dotações que tinha antes do período de crise.

"O problema é que quando o Governo decide não investir estes 385 milhões, as duas décimas de défice, no Serviço Nacional de Saúde, falha aos compromissos com o país, para cumprir compromissos que não foram sequer exigidos por Bruxelas. E é isto que é inexplicável", disparou Catarina Martins.

"Durante o Governo PSD/CDS foram cortados no Serviço Nacional de Saúde 1600 milhões de euros. Desses 1600 milhões de euros, neste tempo [do atual Governo] foram recuperados 600 milhões. Falta recuperar mil milhões, mais tudo o resto que falta recuperar porque quando se corta durante muitos anos o problema é maior. E isso nota-se nas condições dos profissionais de Saúde", disse a bloquista, dando como exemplo os "600 médicos especialistas que esperam desde abril por um contrato e dos hospitais que esperam por esses médicos de que precisam".

Aludindo às declarações do ministro das Finanças, sobre a possibilidade do défice ficar duas décimas abaixo de 1,4%, Catarina Martins disse que "este Governo espera ter gasto menos 385 milhões de euros do que poderia ter gasto e mesmo assim cumprir as metas de défice a que se obrigou". "O que diz hoje, a quem está numa sala de espera das Urgências, porque não investiu esses 385 milhões de euros na Saúde que tinha, podia e deveria ter gasto?", perguntou a Costa.

Na resposta, o primeiro-ministro destacou o facto de, mesmo com a redução do défice, "a despesa com Saúde ter aumentado 5,5%", assegurando tem sido contratado pessoal para o setor, como médicos ou técnicos de diagnóstico.