Covid-19

BE diz que "tivesse o Governo vontade existiria no parlamento maioria" para implementar medidas

BE diz que "tivesse o Governo vontade existiria no parlamento maioria" para implementar medidas

A líder do BE, Catarina Martins, interpretou esta sexta-feira as palavras do Presidente da República como "um aviso à direita" e referiu que "tivesse o Governo vontade existiria no parlamento uma maioria política clara" para investir nas medidas de que o país precisa.

"Não percebo porque é que se está a discutir cenários de salvação e outros. O que é preciso, julgo eu, é discutir quais são as matérias concretas em que é preciso intervir. Do nosso ponto de vista, tivesse o Governo vontade e existiria no parlamento uma maioria política clara para reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), para reforçar os meios da saúde pública e para responder com mais eficácia às vítimas da crise, tanto do ponto de vista social como do ponto de vista económico", referiu Catarina Martins.

Na quinta-feira, numa declaração ao país, a partir do Palácio de Belém, em Lisboa, após decretar a renovação do estado de emergência em Portugal, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, rejeitou cenários de crises políticas ou eleitorais ou de formação de governos de salvação nacional, referindo que essas ideias surgem "nalgumas vozes da opinião política".

"Tudo sem crises políticas. Tudo sem cenários de governos de unidade ou salvação nacional. Não se conte comigo para dar o mínimo eco a cenários de crises políticas ou eleitorais. Já nos bastam a crise da saúde e a crise económica e social", afirmou.

Questionada sobre se interpreta esta palavras como um aviso aos partidos políticos, a coordenadora do Bloco de Esquerda disse que "será talvez um aviso à direita".

"A direita, como se sabe, está muito longe de ter qualquer tipo de maioria no país, tem feito uma política de casos e lança ideias mais ou menos absurdas todos os dias. Percebo que o Presidente [da República] fale até porque aquele é o seu campo político tradicional", apontou.

Catarina Martins, que falava sãos jornalistas após uma reunião com o especialista em saúde pública Henrique Barros, defendeu que "quanto mais se investir agora, melhor ficará a economia e a saúde" do país. E "quanto mais atrasamos investimentos que são fundamentais, mais a pandemia fica descontrolada e mais o país fica frágil do ponto de vista social e económico", acrescentou.

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"Deixar o país mais frágil do ponto de vista da saúde, económica e social fica muito caro ao país", frisou, criticando a "tentação do Governo de não investir, pensando que tudo isto pode passar mais depressa".

Também questionada sobre a moção que levará à próxima convenção bloquista agendada para maio, no distrito do Porto, Catarina Martins não comentou diretamente o teor do documento - no qual o PS e o atual Governo merecem várias críticas do BE, desde logo pelo facto de se terem afastado da 'Geringonça' e não a quererem reeditar na atual legislatura - mas registou que o executivo de António Costa "voltou atrás com medidas que antes tinha rejeitado no Orçamento do Estado".

"Do nosso ponto de vista no Parlamento tinha havido as condições para exigir mais. O BE lutou por elas [medidas de apoio a quem está a perder rendimento com a pandemia] e continuará a lutar todos os dias. As medidas que o Governo vai apresentando agora são pontuais, são medidas que aparecem muito tarde e com muita burocracia mês a mês. Quem perdeu o rendimento, não consegue esperar por isto", disse Catarina Martins.

Quanto às eleições autárquicas, a líder dos bloquistas não quis antecipar qual a posição do BE quando a um possível adiamento, mas à pergunta sobre se esse cenário será inevitável respondeu: "Não estaria certa disso, em todo o caso combinamos fazer um debate interno e é isso que estamos a fazer".

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