Polémica

BE e PSD atacam aumentos na administração da TAP e exigem que Governo os reverta

BE e PSD atacam aumentos na administração da TAP e exigem que Governo os reverta

O Bloco de Esquerda e o PSD insurgiram-se, esta terça-feira, contra os aumentos salariais de três administradores da TAP, quando está prevista uma vaga de despedimentos dos trabalhadores, e exigem agora saber se o Governo deu o aval e se vai reverter de imediato aqueles aumentos.

Em causa está desde logo o salário de Ramiro Sequeira que, com a passagem a CEO interino da TAP em setembro, passou de 17 mil para 35 mil euros brutos por mês, mas também de outros dois administradores.

Para os bloquistas, "não é compreensível ou aceitável que se estejam a prever cerca de dois mil despedimentos e reduções salariais de 25% aos trabalhadores e, ao mesmo tempo, se decidam subidas salariais na administração". Ou seja, este partido considera que "não se podem pedir todos os sacrifícios aos trabalhadores, enquanto os elementos da administração, que auferem salários muito acima da média da empresa, veem o seu rendimento aumentado de forma substancial".

Por isso, numa questão ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, entregue no Parlamento, pergunta a Pedro Nuno Santos se "deu o aval à decisão de subida salarial dos três membros do conselho de administração". O BE quer ainda saber se "está o Governo disponível para rever esta decisão" e recorda que o ministro referiu, no Parlamento, que seriam verificadas possíveis mordomias na administração e que os cortes seriam transversais à empresa.

Aumento "deplorável" perante despedimento coletivo

Entretanto, a bancada do PSD começa por destacar "o aumento do CEO interino, Ramiro Sequeira, o qual, segundo as informações divulgadas, beneficia de um aumento superior a 100 %, auferindo perto de 500 mil euros por ano".

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O CEO substituiu Antonoaldo Neves, que ganhava mais: cerca de 45 mil euros brutos por mês de rendimentos fixos (a que se somavam 14 mil euros para casa e educação de filhos).

"É deplorável que tal suceda quando se está na iminência de verificar na TAP o maior despedimento coletivo público de que há memória e a impor perdas significativas nos salários dos seus colaboradores. Mais ainda, quando o beneficiário em causa é CEO a título interino, e se arrasta irresponsavelmente a escolha do novo CEO - o que é incompreensível quando a empresa está a renegociar a sua reestruturação", refere o PSD.

Negociações com Bruxelas em causa

Para os sociais-democratas, "não será deste modo que se encontra a paz social na empresa e se criam as condições para que qualquer plano seja coroado de êxito. Não será deste modo, manchando a reputação da empresa e descredibilizando-a perante Bruxelas, decidindo em sentido oposto ao que está inscrito no plano de reestruturação para os demais trabalhadores, que se negoceia com a Comissão Europeia em condições adequadas".

Notando que não houve desmentido do Executivo relativamente aos aumentos, o PSD considera "esta decisão mina a confiança dos cidadãos num Governo que decidiu colocar 3,7 mil milhões de euros dos seus impostos, mas que persiste em se recusar a dar a conhecer ao Parlamento o plano de reestruturação".

Perante as notícias sugerindo que a decisão de aumento das remunerações foi feita por iniciativa e conhecimento do Governo, o PSD submeteu um requerimento a perguntar ao Executivo se confirma os valores que forma tornados públicos e também "se já deu ou vai dar orientações para que esta decisão seja revertida com caráter imediato e efeitos retroativos, se for o caso".

Para além do novo CEO interino, está na mira da oposição o salário de Miguel Frasquilho, presidente do conselho de administração da TAP SA e da TAP SGPS, que passou a ganhar 13,5 mil euros brutos por mês (em vez de 12 mil euros). E também a atualização salarial de Alexandra Vieira Reis. Já era diretora da empresa e recebia 14 mil euros mensais (12 mil fixos mais o complemento de dois mil euros). Ao entrar na comissão executiva passa a receber 25 mil euros.

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