Operação Miríade

PSD, BE e PCP querem ouvir ministro da Defesa com urgência

PSD, BE e PCP querem ouvir ministro da Defesa com urgência

O PSD, BE e PCP pediram as audições urgentes do ministro da Defesa Nacional, do Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) e do Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME) sobre as as suspeitas de uma rede criminosa de militares portugueses.

O PSD condenou o "comportamento errático e esdrúxulo" do ministro da Defesa Nacional e disse esperar que este "não desrespeite o parlamento" e explique a suspeita de tráfico por militares portugueses, admitindo chamar depois o primeiro-ministro caso necessário.

Esta manhã, à agência Lusa, o presidente da bancada social-democrata, Adão Silva, já tinha anunciado o requerimento do PSD para chamar ao parlamento o ministro da Defesa Nacional para explicar o seu comportamento face ao processo de militares suspeitos de tráfico de diamantes, ouro e droga.

Esta tarde, em declarações aos jornalistas nos Passos Perdidos da Assembleia da República, Adão Silva reiterou a "extrema urgência" desta audição de João Gomes Cravinho, esperando que esta aconteça "no máximo no próximo dia 16 de novembro". "Esperamos que o senhor ministro não desrespeite o parlamento. Já percebemos que desrespeitou o senhor primeiro-ministro, é lá com eles. Desrespeitou o Presidente da República que é o comandante supremo das Forças Armadas. É intolerável", criticou.

Para o social-democrata, o ministro tem que explicar ao parlamento e aos portugueses "como é que numa matéria tão conspícua e tão delicada omitiu informação da maior importância para o senhor primeiro-ministro e para o senhor Presidente da República".

BE e PCP também querem ouvir o ministro da Defesa

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"A Operação Miríade, recentemente levada a cabo pela Polícia Judiciária no âmbito das suspeitas da existência de uma rede criminosa com vista a contrabandear diamantes, ouro e estupefacientes provenientes da República Centro-Africana, por militares portugueses que estiveram destacados naquele país no âmbito da missão coordenada pela Organização das Nações Unidas (MINUSCA), veio colocar em causa a integridade e o prestígio das Forças Armadas Portuguesas, bem como a sua imagem na esfera internacional", pode ler-se num requerimento bloquista que deu esta quinta-feira entrada no parlamento.

Na perspetiva do BE, têm "surgindo perguntas que merecem um cabal esclarecimento por parte das entidades com responsabilidades na administração direta do Estado e da Defesa Nacional". Assim, os bloquistas pedem, "com caráter de urgência, a audição do Ministro da Defesa Nacional, do Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), e do Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), com vista à prestação de todos os esclarecimentos sobre o assunto em causa".

"Há, desde logo, duas questões que importam esclarecer. Primeiro, deve ser dada uma explicação cabal sobre os processos de controlo à chegada ao território nacional destes militares transportados em aviões da Força Aérea Portuguesa e outras aeronaves ao abrigo das missões da ONU", sustentam. A segunda questão tem a ver com a "partilha de informação e a tomada de decisão política após o conhecimento das informações que levaram à abertura da investigação judicial".

O PCP anunciou também que viabiliza os pedidos do PSD e BE para que o ministro da Defesa seja ouvido com urgência no parlamento sobre as suspeitas de envolvimento de militares portugueses numa rede criminosa. Em declarações aos jornalistas, o deputado comunista António Filipe considerou que este caso que envolve militares que estiveram em missão na República Centro Africana (RCA) é grave, porque atinge o prestígio das Forças Armadas e coloca em causa a imagem externa do país.

António Filipe, no entanto, considerou que é secundária a questão política no sentido de se apurarem as razões que levaram o ministro da Defesa a não comunicar nada sobre este caso ao Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa.

"Depois, entramos numa troca de pareceres, em que uns dizem que não deveria ter informado e outros que deveria ter informado [o Presidente da República]. O mais grave é o facto em si: Militares portugueses em missões internacionais utilizaram essas missões para praticar atos de extrema gravidade do ponto de vista criminal", assinalou, numa alusão às suspeitas de tráfico de diamantes ouro e droga a partir da RCA.

Da mesma forma, desvalorizou os pedidos de demissão de João Gomes Cravinho do cargo de ministro da Defesa, salientando que o Governo "tem data marcada" para cessar funções, já que estão marcadas eleições legislativas antecipadas para 30 de janeiro de 2022.

A Polícia Judiciária (PJ) confirmou em 8 de novembro a execução de 100 mandados de busca e 10 detenções, incluindo de militares e ex-militares, no âmbito da Operação Miríade, na sequência de um inquérito dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa.

Em causa está a investigação a uma rede criminosa com ligações internacionais e que "se dedica a obter proveitos ilícitos através de contrabando de diamantes e ouro, tráfico de estupefacientes, contrafação e passagem de moeda falsa, acessos ilegítimos e burlas informáticas".

Em comunicado, o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) revelou que alguns militares e portugueses em missões na República Centro-Africana podem ter sido utilizados como "correios" no tráfego de diamantes, adiantando que o caso foi reportado em dezembro de 2019.

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