Conferência Episcopal

Bispos consideram chumbo do referendo à eutanásia um ataque à democracia

Bispos consideram chumbo do referendo à eutanásia um ataque à democracia

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa criticou esta quarta-feira, em Fátima, o facto dos deputados da Assembleia da República terem escolhido este período de pandemia para voltarem a debater o tema da legalização da eutanásia, considerando um ataque à democracia não terem aprovado a realização de um referendo nacional.

"Que se tenha retomado esta iniciativa precisamente neste momento e se tenha negado a discussão pública integrada num pronunciamento da vontade do povo, em assunto tão importante e fraturante, não abona a nossa democracia nem a promoção de uma cidadania que se quer participativa e interventiva", afirmou D. José Ornelas, no discurso de abertura de mais uma Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

O encontro, que pela primeira vez conta com a presença de um número reduzido de bispos por causa das restrições sanitárias, tem como tema fundamental a análise do impacto da pandemia na sociedade e na Igreja em Portugal. Mas o presidente da CEP fez questão de recordar o recente chumbo dos deputados a uma consulta popular sobre a legalização da morte assistida, um tema que tem merecido várias tomadas de posição da Igreja Católica, sempre em defesa da vida e da necessidade de melhorar a prestação de cuidados paliativos.

"No meio dos sacrifícios e esforços das instituições e pessoas, a começar pelo Serviço Nacional de Saúde e pelos profissionais que têm sido de uma abnegação que ficará na memória e no coração de todos nós, quando tantos e com total dedicação se esforçam por dar razões e condições para 'ajudar a viver', não encontro lógica no facto de se escolher precisamente este momento para dizer aos que tocam o mais fundo da dor e do abandono: 'tem coragem, ajudamos-te a morrer; estamos a caminho de aprovar uma opção que aceita a tua eutanásia'", sublinhou D. José Ornelas.

Em relação ao impacto da crise pandémica na vida das pessoas e da Igreja em particular, o bispo de Setúbal disse esperar que o sacrifício exigido nestes tempos não seja em vão, mas que sirva para tornar o mundo mais solidário, mais atento e mais fraterno.

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"Precisamos urgentemente de vacinas e de tratamentos eficazes, mas não somos apenas organismos doentes do coronavírus. Temos de voltar a socializar, temos de voltar às nossas igrejas, mais humanos, mais fraternos, mais crentes e consequentes ao Deus que caminha com a humanidade, sempre atento aos mais frágeis e sempre promotor de renovação e de esperança", realçou o prelado.

Até ao próximo sábado, além dos desafios pastorais provocados pela pandemia, os bispos irão traçar novas diretrizes sobre a Proteção de Menores e Pessoas Vulneráveis da Igreja, analisar um estudo sobre o diaconado permanente e avaliar os trabalhos de preparação para a Jornada Mundial da Juventude 2023, em Lisboa. No dia de encerramento dos trabalhos, às 11 horas, será celebrada uma missa na Basílica da Santíssima Trindade, em Fátima, em memória das vítimas de covid-19.

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