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Bispos dizem que polémica com encerramento da Rádio Sim está ultrapassada

Bispos dizem que polémica com encerramento da Rádio Sim está ultrapassada

Depois da tempestade, a bonança. O anúncio da descontinuidade da Rádio Sim, por parte do Conselho de Gerência do Grupo Renascença, casou desconforto nas arquidioceses de Braga e Évora, não tanto pela decisão, que já era previsível face a insustentabilidade económica do projeto, mas sobretudo pela forma inesperada como foi tomada e tornada pública.

"Devia ter havido aquilo que é tão apregoado e pedido pelo Papa Francisco, que é a sinodalidade e a humanização do processo", admitiu na quinta-feira ao JN o arcebispo de Évora. Segundo D. Francisco Senra Coelho, a situação da rádio foi sendo abordada no Plenário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), mas a decisão do encerramento devia ter sido melhor dialogada e trabalhada, sobretudo com as dioceses onde a estação tem estúdios, como é o caso de Braga e Évora.

"Nós compreendemos a posição do Conselho de Gerência da Rádio Renascença, mas há funcionários em causa e o modo como se procedeu deixou o bispo de Évora desconfortável", adiantou o prelado, frisando que o assunto "está conversado e ultrapassado". O arcebispo primaz de Braga também deu o assunto por encerrado. "Não quero acrescentar mais nada ao que está escrito no comunicado", disse ao JN. E no comunicado, publicado a 5 de janeiro, D. Jorge Ortiga, manifestava "apreensão e surpresa" pela decisão, dirigindo o pensamento para os trabalhadores da estação, para os idosos que acompanhavam as emissões radiofónicas, e sobretudo para a alegada falta de "unidade eclesial".

"Num tempo em que cresce o número de idosos em Portugal, a Igreja deveria ser-lhes próxima, produzindo conteúdos que lhes proporcionassem companhia e os ajudassem, muito concretamente, a viver, aprofundar e a celebrar a fé. Bem como a serem informados sobre a atualidade da Igreja", escreveu o arcebispo. Após estas tomadas de posição, o Conselho Permanente da CEP, reunido na última terça-feira, em Fátima, saiu em defesa do Conselho de Gerência da Renascença, com um voto de "confiança" naquele organismo, presidido bispo auxiliar de Lisboa, D. Américo Aguiar. Refira-se que o Grupo Renascença tem como principais acionistas a CEP e o Patriarcado de Lisboa.