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Bloco acusa PS e PSD de levar SNS ao "colapso sistémico"

Bloco acusa PS e PSD de levar SNS ao "colapso sistémico"

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, afirmou, domingo, que a capacidade de operação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) está em "colapso sistémico" devido aos "efeitos da sabotagem orçamental aprovada pelo PS e PSD".

Falando na sessão de encerramento do "Encontro com a Ciência", que decorreu no Planetário do Porto, Francisco Louçã apontou como exemplos desse "colapso" a Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, que está a "estender a mão a um peditório às famílias dos utentes", e "um hospital do distrito de Aveiro, que cobra uma caução de 15 euros a cada pessoa que vá visitar o seu familiar" ali internado.

"Ou seja, quatro meses depois da sabotagem orçamental, o SNS não consegue responder às suas necessidades e vai acumulando problemas e dificuldades numa engrenagem que está atingida pelo subfinanciamento e pela sua incapacidade", frisou.

O líder do BE disse que "não haverá democracia substantiva em Portugal se não houver um SNS que torna as pessoas iguais perante a dificuldade".

Louçã considerou que isto demonstra como "seria necessário pôr as contas em dia" e lembrou a proposta "de um orçamento de base zero" que o BE lançou há uns meses.

"Certamente o SNS é dos [serviços públicos] que mais precisa deste orçamento de base zero para que não seja destruída a capacidade da saúde pública de responder às necessidades das pessoas", sublinhou.

Através de um orçamento de base zero, disse, poderia haver a certeza de que "não se gasta dinheiro a mais, que se gasta o necessário da forma mais eficiente possível".

O líder do BE lembrou ainda que a proposta que o partido lançou no sentido da política do medicamento de permitir aos utentes que escolhessem a embalagem do medicamento "era possível ao Estado poupar 100 milhões de euros e poupar às famílias 200 milhões de euros", o que faria "uma grande diferença no contexto das dificuldades orçamentais portuguesas e permitiria dar uma primeira resposta" a casos como o da Maternidade Alfredo da Costa.

Francisco Louçã defendeu que Portugal "não pode nunca aceitar a regra do quanto pior melhor e não pode aceitar a regra da terra queimada", como "abandonar o SNS para dizer que ele é caro de mais".

O bloquista entende que na batalha das eleições legislativas de 5 de Junho o que interessa é "fazer escolhas concretas, propostas concretas, discutir grandes questões da democracia".

"Interessa muito pouco a que horas é feito cada telefonema e cada encontro nocturno entre personagens da nossa vida política, mas interessa muito saber se o financiamento da maior maternidade do país é ou não resolvido, interessa certamente muito saber se os nossos hospitais têm capacidade para responder às necessidades das pessoas", concluiu.

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