Tragédia Pedrógão Grande

Bombeiros de Figueiró dos Vinhos tinham avisado SIRESP para zonas sem cobertura

Bombeiros de Figueiró dos Vinhos tinham avisado SIRESP para zonas sem cobertura

O comandante dos Bombeiros de Figueiró dos Vinhos afirmou esta terça-feira que, desde que o SIRESP foi criado, que se alertou para falta de cobertura da rede em determinadas zonas daquele concelho do distrito de Leiria, situação que nunca foi retificada.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Figueiró dos Vinhos, Paulo Nogueira, sublinhou ainda que houve sobrecarga dos canais de comunicações, especialmente "nos canais de manobra" e não tanto nos de comando.

Apesar de ter sido um teatro de operações extenso e com muitos operacionais no terreno, o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) "devia estar preparado" para uma situação como aquela que se viveu no interior norte do distrito de Leiria, afetado pelo incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, no dia 17, e que provocou 64 mortos e mais de 200 feridos.

Paulo Nogueira frisou ainda que há várias zonas de difícil acesso no concelho que "não estão cobertas pelo SIRESP".

Essas "zonas sombra" foram identificadas "desde que o SIRESP foi criado", mas a situação nunca foi "retificada", apontou.

"A informação apresentada permite concluir que não houve interrupção no funcionamento da rede SIRESP, nem houve nenhuma estação base que tenha ficado fora de serviço em consequência do incêndio", refere o relatório de desempenho do SIRESP, publicado hoje no portal do Governo.

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No entanto, a 'fita do tempo' das comunicações registadas pela Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) revela falhas "quase por completo" nas primeiras horas do incêndio em Pedrógão Grande, "impedindo a ajuda às populações".

A 'fita do tempo' "resulta do Sistema de Apoio à Decisão Operacional (SADO) da ANPC, uma espécie de 'caixa negra' que permite registar a sequência ordenada dos principais acontecimentos e decisões operacionais.

Os registos foram disponibilizados ao primeiro-ministro no dia 23, um dia depois de a ANPC ter enviado a António Costa as primeiras explicações sobre as falhas nos incêndios.

"No primeiro documento era já deixado de forma clara que a rede SIRESP tinha falhado durante quatro dias".

O primeiro registo da 'fita do tempo' é das 19:45 de sábado, hora em que começaram os problemas na rede de comunicações.

Segundo esta, foi nestas primeiras horas que existiram vários pedidos de ajuda de pessoas cercadas pelo fogo, a que os comandos operacionais não conseguiram dar resposta imediata, devido às falhas nas comunicações.

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