Óbito

"Brilhante colunista político". As reações à morte de Vasco Pulido Valente

"Brilhante colunista político". As reações à morte de Vasco Pulido Valente

Vasco Pulido Valente morreu esta sexta-feira, em Lisboa, aos 78 anos. O seu corpo vai estar em câmara ardente a partir de domingo, no centro funerário de Cascais, em Alcabideche.

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa , lamentou esta sexta-feira a morte do historiador e colunista Vasco Pulido Valente, descrevendo-o como "estrangeirado, pessimista, desalinhado, cáustico" e considerando-o "uma das figuras mais marcantes do espaço público português em democracia".

O primeiro-ministro, António Costa, considerou que Portugal perdeu um dos seus maiores cronistas da atualidade, salientando a sua acutilância e argúcia.

"Portugal perdeu hoje um dos seus maiores cronistas da atualidade. Todos sentiremos falta da acutilância, da argúcia, até da irónica rispidez de Vasco Pulido Valente", afirmou António Costa na sua conta pessoal na rede social Twitter.

Na sua mensagem, o primeiro-ministro referiu-se também à obra literária de Vasco Pulido Valente. "Sempre marcantes as suas palavras, desde o incontornável 'O Poder e o Povo', passando pelo pujante 'Às Avessas' e à força inteligente das suas crónicas e comentários. Os meus sinceros sentimentos à família", escreveu António Costa.

Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República manifestou o seu "profundo pesar" pela morte, considerando que Vasco Pulido valente é uma figura "incontornável" do panorama cultural português e que deixou obra "significativa".

"Ao tomar conhecimento do falecimento de Vasco Pulido Valente, não posso deixar de manifestar o meu profundo pesar pelo seu desaparecimento. Historiador, escritor, polemista e cronista de inegável inteligência e forte sentido crítico, Vasco Pulido Valente era uma figura incontornável do panorama cultural português, tendo deixado significativa obra, nomeadamente sobre o século XIX", escreveu Ferro Rodrigues, numa nota enviada à agência Lusa.

O presidente da Assembleia da República referiu depois que Vasco Pulido Valente integrou, como secretário de Estado da Cultura, o VI Governo Constitucional, "dirigido por Francisco Sá Carneiro, tendo sido apoiante de Mário Soares na sua primeira candidatura presidencial [em 1986]".

"Foi ainda deputado à Assembleia da República, na VII Legislatura, eleito como independente nas listas do PSD. À sua família e amigos endereço, em meu nome e em nome da Assembleia da República, as mais sentidas condolências", acrescentou Ferro Rodrigues.

Paulo Portas, ex-líder do CDS, recorda Vasco Pulido Valente como "brilhante colunista político", a quem deve "uma amizade sem interrupção durante mais de 30 anos".

"Vasco Pulido Valente foi uma das pessoas mais inteligentes que conheci. Não preciso de exagerar ao dizê-lo", escreveu o antigo diretor do semanário "O Independente", onde o historiador também foi diretor-adjunto, num depoimento por escrito à agência Lusa.

Para Paulo Portas, "foi o mais brilhante colunista político de O Independente - e, nesse sentido, essencial para o êxito do jornal".

"Seguramente, foi o melhor historiador do século XIX português, e o mais luminoso de todos os que estudaram e escreveram sobre a I República - a meu ver, por exemplo, sem 'O Poder e o Povo', não é possível compreender e interpretar o século XX em Portugal", escreveu ainda.

Além do mais, acrescentou, "escrevia português com um primor inexcedível, o que não é coisa pouca nos tempos que correm".

"Devo-lhe muitas conversas de muitas horas sobre história, política, literatura ou viagens. Devo-lhe uma amizade sem interrupção durante mais de 30 anos", afirmou ainda Portas, que apresentou também condolências à família.

O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel lamentou a morte de "um dos maiores do PSD", Vasco Pulido Valente, confessando que a sua admiração pelo historiador era "um verdadeiro culto".

"A minha admiração por Vasco Pulido Valente era mais do que fascínio intelectual. Era um verdadeiro culto. Culto à inteligência, culto ao humor e ironia, culto à língua portuguesa", escreveu Paulo Rangel na sua conta na rede social Twitter.

O eurodeputado social-democrata considerou ainda que "morreu um grande, um dos maiores do PSD" e que "não havia quem escrevesse tão bem português" como Vasco Pulido Valente.

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou a morte de Vasco Pulido Valente, considerando que o escritor foi "um dos intelectuais mais marcantes da vida pública portuguesa" nos últimos 50 anos.

Numa nota de pesar, em que apresenta "sentidas condolências" à família e amigos, Graça Fonseca refere que Vasco Pulido Valente foi "uma voz dissonante" e tinha um "olhar lúcido e crítico da política e da sociedade portuguesa, que nunca procurou nem pediu consensos".

"Com uma escrita exemplar e limpa, os textos de Vasco Pulido Valente são um testemunho único sobre a nossa história, do período oitocentista e da Primeira República, do 25 de Abril e da vida em democracia, fruto de um conhecimento muito profundo e sistematizado da realidade portuguesa", prossegue a nota.

Para a ministra da Cultura, as crónicas do também comentador político tornaram-no num "crítico polémico e radical", e evidenciavam o "fio de pensamento e a argúcia de quem soube que a História era e será sempre maior do que os homens que a viveram".

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