Caso Navalny

Câmara de Lisboa pede desculpa aos promotores de manifestação contra a Rússia

Câmara de Lisboa pede desculpa aos promotores de manifestação contra a Rússia

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, pediu desculpas públicas por "um erro" dos serviços administrativos da autarquia que forneceram dados dos promotores de uma manifestação a favor do opositor russo Alexei Navalny.

"Quero fazer um pedido de desculpa público por um erro, a todos os títulos, lamentável", disse Fernando Medina. "Já tive a oportunidade de dizer isso aos promotores da iniciativa", acrescentou o presidente da câmara de Lisboa, referindo-se aos organizadores de uma manifestação a favor do opositor russo, em Lisboa, a 18 de janeiro, e cujos dados foram fornecidos à embaixada da Rússia e ao ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

"Não podia ter acontecido", disse Fernando Medina. "Dados de natureza pessoal foram transmitidos para a embaixada, que não devia ter acontecido, por várias razões", disse o presidente da autarquia.

"Lisboa tem orgulho em ser um lugar de segurança, de liberdade de expressão, de segurança e de exercício dos direitos humanos. O direito à manifestação, que tanto nos custou a conquistar, que a nossa Constituição diz que não carece da autorização de responsáveis", disse Fernando Medina.

"Há uma segunda razão, que é naturalmente a própria causa. A posição de Portugal, e da própria União Europeia, está em sintonia com aquela que é defendida pelos manifestantes, de grande preocupação com violações de direitos humanos, com a exigência de libertação de Navalny da prisão. É conhecido o posicionamento da UE sobre esta situação à qual me associo", argumentou o presidente da Câmara de Lisboa.

Medina explicou, em linha com o que já tinha feito a autarquia em comunicado, que foi dada a esta manifestação o tratamento habitual neste tipo de casos. Um erro burocrático que não vai repetir-se, uma vez que a câmara alterou os procedimentos e deixou de fornecer dados dos promotores de manifestações às embaixadas.

O presidente da Câmara de Lisboa disse estar "totalmente disponível" a ser ouvido numa comissão de inquérito parlamentar e considerou que houve uma tentativa de aproveitamento político na forma como os partidos reagiram à situação.

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"Não aceito lições de democracia de um qualquer candidato em dificuldades à Câmara de Lisboa", disse Fernando Medina, numa clara referência ao social-democrata Carlos Moedas, que foi o primeiro a pedir a demissão do atual presidente da autarquia, na sequência da revelação deste caso, que foi questionado e criticado pela generalidade dos partidos políticos portugueses.

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