Covid-19

Câmaras desinfetam ruas e encerram equipamentos

Câmaras desinfetam ruas e encerram equipamentos

Grande Porto é das regiões mais afetadas pelo novo coronavírus. Autarquias fecharam serviços para evitar concentração de pessoas. Incumprimento obriga a vedar zonas de lazer

O núcleo central do Grande Porto - concelhos do Porto, Gaia, Maia, Gondomar, Valongo e Matosinhos - é a região do Norte mais fustigada pelo novo coronavírus. Em termos absolutos, Lisboa continua a liderar o número de casos, que não pára de subir em Ovar, onde já foi decretado o estado de calamidade.

As autarquias têm multiplicado medidas em termos de saúde pública para evitar a propagação da Covid-19, incluindo o encerramento de espaços culturais e desportivos, entre outros, a desinfeção das ruas e mobiliário urbano, e a criação de centros de rastreio do novo coronavírus.

As medidas são transversais a todos os concelhos. E delas fazem parte o encerramento de equipamentos municipais, feiras, mercados, piscinas. Com a chegada do bom tempo, houve mesmo a necessidade de reforçar a intervenção, cortando o acesso a locais atrativos para ajuntamento de pessoas em passeio, como passadiços e marginais. A decisão de vedar o acesso aos passadiços de Gramido, em Valbom, e de Rio Tinto, em Gondomar, é exemplo disso. O fecho estava apenas previsto para os fins-de-semana, mas o presidente da Câmara, Marco Martins, perante o incumprimento das regras de circulação pelos seus munícipes, decidiu encerrar os dois espaços por tempo indeterminado.

O mesmo aconteceu nesta semana com a interdição da marginal da Póvoa de Varzim e do Ecocaminho na Maia.

Museus e teatros

Do pacote de medidas de prevenção de Lisboa, onde há mais casos identificados, fazem parte o encerramento de museus, galerias, teatros municipais e monumentos nacionais como o Padrão dos Descobrimentos e o Mosteiro dos Jerónimos.

No Porto, fez-se o mesmo. O Rivoli, por exemplo, vai manter-se de portas fechadas até dia 3 de abril. Já os refeitórios municipais e parques murados da cidade ficam encerrados até 9 de abril.

Também a Câmara de Gaia seguiu o mesmo caminho: encerrou piscinas municipais, o Centro de Alto Rendimento, e a hospedaria do Parque Biológico de Gaia.

Poucos dias depois de anunciado o "estado de alerta" pelo Governo e de conhecidos os primeiros casos de pessoas infetadas com Covid-19, grande parte das autarquias intensificou a lavagem mecânica das ruas.

As empresas de transporte público também reforçaram a limpeza de autocarros e comboios para evitar a propagação do novo coronavírus. Aliás, a decisão de suspender o pagamento de parcómetros no Porto aliada à interrupção da cobrança de viagens nos transportes públicos foram duas das medidas adotadas para tentar diminuir o risco de contágio.

Comboios não param

Em Ovar, as medidas de saúde pública multiplicam-se, a começar desde logo pela cerca sanitária que rodeia o município desde dia 18 e que impede que se saia ou entre no concelho, à exceção de profissionais de serviços essenciais.

Além do comércio, também a indústria está parada em Ovar. As pessoas não podem circular na rua e os comboios também não param no concelho. "Está tudo encerrado", explica o vice-presidente da Autarquia, Domingos Silva, que adianta que foi contratada uma empresa de limpeza para "desinfeção nos pontos onde há mais circulação de pessoas, nomeadamente à porta de supermercados e farmácias".