Porto

1.º de Maio: CGTP pede "voto barulhento" nas europeias

1.º de Maio: CGTP pede "voto barulhento" nas europeias

"Vamos levar a luta até ao voto" foi o apelo que marcou as comemorações do Dia do Trabalhador, no Porto, no mês das eleições europeias, perante várias centenas de pessoas a quem a CGTP prometeu não dar tréguas à proposta de lei que os socialistas conseguiram fazer aprovar na generalidade e que "é uma provocação aos trabalhadores".

"Quando se exigia que, com a atual correlação de forças na Assembleia da República, fossem corrigidas as malfeitorias do Código do Trabalho e da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, o que se propõe agora é tentar perpetuar e legitimar a precariedade, desregular os horários de trabalho, atacar a contratação coletiva e cortar direitos e rendimentos dos trabalhadores", denunciou Tiago Oliveira, da Comissão Executiva da CGTP-IN e coordenador da União dos Sindicatos do Porto, no palco instalado na Avenida dos Aliados.

O dirigente destacou que a proposta, aprovada com apoio do PSD, do CDS e do PAN, na sequência de um acordo entre Governo, patrões e UGT, é "uma provocação para os trabalhadores". E crê que o próximo momento eleitoral, para o Parlamento Europeu, deve ser uma oportunidade para mostrar o cartão vermelho ao Governo, considerando que o PS "deveria ir mais longe e romper com as amarras da Direita e dos grandes grupos", aproveitando o apoio das esquerdas que tem no Parlamento.

"Nós também vamos à luta em 26 de maio, dia das eleições para o Parlamento Europeu. Vamos à luta porque os trabalhadores e o país não precisam de mais deputados para defender a União Europeia neoliberal, federalista e militarista", disse Tiago Oliveira. "Os trabalhadores precisam é de eleger mais deputados que defendam os seus direitos e interesses, contra as imposições e arbitrariedades da UE. Vamos levar a luta até ao voto e votar naqueles que sempre apoiam os trabalhadores", prosseguiu, considerando que é "uma obrigação" de todos eleger apenas aqueles com que podem contar.

Perante uma plateia onde se cruzavam diferentes gerações e juntavam várias famílias, o comício das comemorações do dia 1 de Maio começou com um apelo de Joana Jesus, da Interjovem, para que as europeias, no dia 26, sejam também palco de "um voto barulhento". E defendeu que "não podemos deixar passar a proposta de lei do PS" e é necessário demonstrar esse descontentamento nas urnas.

Fundação e Cavaco vaiados

O comício foi ainda marcado por vaias a Cavaco Silva e ao estudo divulgado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos - segundo o qual, subir a idade de reforma em três anos é um dos cenários possíveis para assegurar a sustentabilidade financeira das pensões da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações - na "telenovela do costume". "Onde há dinheiro e cheira a lucro aparecem logo os privados a tentar deitar a mão", disse Tiago Oliveira. "Não surpreende, portanto, que tal estudo seja da autoria da fundação Manuel dos Santos, o mesmo que é dono dos supermercados Pingo Doce. O mesmo também que, de tão preocupado que está com a sustentabilidade da Segurança Social e o bem-estar do país, deslocou a sede das suas empresas para a Holanda e é lá que paga a maior parte dos seus impostos".

"Uma vergonha, camaradas, só ultrapassada por Cavaco que veio logo a terreiro dizer que, daqui a pouco tempo, a reforma terá que ser aos 80 anos. Ganhem vergonha na cara! Estes senhores que trabalhem 40, 45 ou 50 anos como muitos trabalhadores o tiveram e têm que fazer para ter direito a uma reforma digna e então verão o quanto custa uma vida de trabalho", desafiou o dirigente da CGTP.