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A causa dos professores é justa, mas atenção às contas

A causa dos professores é justa, mas atenção às contas

Os portugueses acham justas as reivindicações dos professores, mas não que sejam mais importantes que o controlo das contas públicas.

Por outro lado, se é maioritária a ideia de que PSD e CDS foram à caça do voto, não é tão claro que fosse motivo para uma ameaça de demissão do Governo. Algumas das conclusões possíveis, quando se faz a avaliação da crise política que marcou a pré-campanha para as eleições europeias.

É justo os professores recuperarem os 9 anos, 4 meses e 2 dias? Rigorosamente metade (50%) dos inquiridos pela Pitagórica acha que sim (apenas 30% discordam), sendo essa uma posição maioritária entre os eleitores de todos os partidos. Os menos entusiastas são os socialistas.

Entre o ser justo e o ser possível, no entanto, há diferenças. Quando se pede para meter nos dois pratos da balança a reposição das carreiras dos professores (e outros funcionários públicos) e o controlo das contas públicas, o pêndulo vai para o lado da contenção: 66% contra apenas 14%, mais uma vez de forma maioritária, à Direita como à Esquerda.

A importância de controlar as contas públicas não será alheia ao juízo que os inquiridos fazem sobre o posicionamento dos diferentes partidos, particularmente duro para PSD e CDS: 55% concordam com a afirmação de que estes dois partidos tentaram ganhar votos, mesmo sabendo que não existiam condições económicas para o fazer.

Um juízo negativo que se torna mais evidente quando se pede uma avaliação do comportamento de diferentes líderes políticos durante a crise (espoletada pela coligação, no Parlamento, entre PCP, BE, PSD e CDS): o castigo mais pesado é para Rui Rio e Assunção Cristas. O único ator com saldo largamente positivo é Marcelo Rebelo de Sousa. Caso para dizer que o silêncio foi de ouro.

Quanto a António Costa regista, na prática, um empate entre os que avalizam e os que repudiam a sua conduta na crise dos professores. O que ajuda a explicar a divisão entre os que consideram que o primeiro-ministro fez bem em ameaçar com a demissão (41%) e os que acham que fez mal (35%). Sendo que, para além dos que votam PSD e CDS (52%), também os eleitores comunistas estão maioritariamente (54%) contra essa dramatização.

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