Europeias

As reações dos partidos aos resultados eleitorais

As reações dos partidos aos resultados eleitorais

O que de mais importante foi dito pelos líderes partidários e cabeças de lista, dos partidos que conseguiram eleger deputados nestas eleições.

O cabeça de lista do PS considerou que o seu partido obteve uma "enorme vitória" nas eleições europeias, afirmando que os socialistas subiram em mandatos e deixaram o PSD a mais de 10 pontos percentuais.

Pedro Marques falava em conferência de imprensa, com o secretário-geral do PS, António Costa, ao seu lado, depois de os resultados oficiais apontarem para uma vitória dos socialistas com cerca de 33,5%.

"O PS pediu uma vitória clara. Os portugueses responderam e deram uma enorme vitória ao PS", declarou.

Considerando que o PS ganhou estas eleições de forma "absolutamente extraordinária", o agora eurodeputado notou, contudo, que a abstenção deve fazer "refletir" os agentes políticos e as instituições europeias.

"E não ajuda nada que as campanhas se façam e só cheguem a casa das pessoas carregadas de 'soundbytes' e ataques pessoais", disse, referindo-se à campanha eleitoral do PSD, que, segundo ele, se baseou em ataques aos adversários.

O secretário-geral do PS, António Costa, agradeceu aos portugueses que decidiram votar nos socialistas de forma tão "expressiva, clara e inequívoca" nas eleições europeias e elogiou o cabeça de lista do partido, Pedro Marques.

Costa agradeceu aos que "escolheram de forma tão expressiva, clara e inequívoca votar no PS nestas eleições", acrescentando sentir este resultado como um "voto de confiança".

"Em Portugal, os portugueses apoiam o projeto europeu", disse ainda.

Numa alusão à elevada taxa de abstenção verificada nestas eleições europeias, António Costa manifestou o seu "respeito pelos que não votaram", o que, na sua perspetiva coloca a todo o sistema político "uma responsabilidade de refletir sobre o que fazer melhor ao longo dos próximos cinco anos", tendo em vista que esses cidadãos "se sintam parte integrante do projeto europeu".

O cabeça de lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, assumiu que o PSD falhou os objetivos de vencer as eleições e eleger mais um eurodeputado do que em 2014, mas considerou que "aumentou o peso eleitoral".

"O partido não alcançou o objetivo que fixou para si próprio, mas aumentou o seu peso eleitoral -- fomos em coligação [em 2014] -- mas esse aumento não se traduz na eleição de mais um eurodeputado", afirmou Paulo Rangel, em declarações aos jornalistas, nas quais felicitou o PS pela vitória nas europeias.

O eurodeputado salientou que o partido tinha fixado como primeiro objetivo vencer as eleições, e, se tal não fosse possível, "não apenas subir do patamar de 2014", objetivo que considerou "atingido", mas também "garantir mais eurodeputados".

Há cinco anos, o PSD, em coligação com o CDS-PP, conseguiu 27,7% dos votos, e elegeu seis eurodeputados (mais um para os democratas-cristãos), numa lista também liderada por Paulo Rangel.

O presidente do PSD, Rui Rio, assumiu que o partido falhou os objetivos para as eleições europeias, mas considerou que tem condições para levar o partido a "um bom resultado" e vencer as legislativas.

"Claro que tenho condições para levar o partido a um bom resultado (...). Estamos a falar de alguém que anda há 61 anos na vida pública. Eu não abandono, eu assumo as minhas responsabilidades", afirmou, em declarações aos jornalistas, dizendo que "só se estivesse completamente farto" é que aproveitava este resultado para deixar a liderança do PSD.

A meta do partido para as legislativas, reiterou, "é ganhar as eleições, como é lógico".

Sobre as consequências do resultado das europeias para as legislativas de outubro, Rio defendeu que são "eleições completamente diferentes" e que a taxa de abstenção próxima dos 70% dificulta qualquer leitura.

Questionado se não teme nova onda de contestação interna, Rio disse esperar que tal não aconteça.

Quanto aos objetivos para estas eleições, Rio admitiu que não foram conseguidos.

"Não atingimos os objetivos pretendidos nesta eleição. Não vale a pena estar com floreados a tentar ler números onde eles não existem", afirmou, defendendo que "o primeiro passo para amanhã as coisas correrem melhor, é reconhecer os erros de hoje".

"A responsabilidade é do PSD como um todo. O doutor Paulo Rangel, como cabeça de lista, teve um pouco mais e eu também porque sou líder do partido", afirmou.

A primeira candidata do BE às europeias, Marisa Matias, afirmou hoje que os bloquistas cumpriram todos os objetivos traçados e que não foi o partido que contribuiu para a abstenção, reiterando que "o mapa político à esquerda está a mudar".

"Com esta eleição nós cumprimos todos os objetivos que traçámos porque há uma diferença em colocar números - que é uma falta de respeito por quem vota - e ter objetivos", afirmou.

"E os objetivos eram sairmos reforçados e sermos a terceira política. Aqui estão e vamos responder às pessoas", disse Marisa Matias, numa declaração perante uma sala cheia no Teatro Thalia, o quartel-general do BE para esta noite eleitoral.

Catarina Martins qualificou de "extraordinário" o resultado do partido nas europeias, considerando que estas eleições "reconfiguram o mapa político" e que "a disputa política está nos projetos que a esquerda tenha capacidade para apresentar".

"O Bloco de Esquerda cresceu em percentagem, cresceu em votos e cresceu em todo o território, de norte a sul, do litoral ao interior e é hoje a terceira força política do país. Com mais força, mais capacidade e por isso mesmo com mais responsabilidade", destacou Catarina Martins num discurso no quartel-general do partido para a noite eleitoral, o Teatro Thalia, em Lisboa, onde falou de um "extraordinário resultado" do partido.

A líder do CDS-PP, que assumiu o resultado "aquém dos objetivos traçados" para as europeias de domingo, afirmou ter compreendido "o sinal" que os eleitores lhe quiseram dar e disse acreditar que o partido está "forte e unido".

No final de uma noite eleitoral, em que o CDS-PP elegeu um deputado, Nuno Melo, a presidente centrista, Assunção Cristas, admitiu ainda que se confirmou que a abstenção, em redor dos 70%, foi "o maior obstáculo" do partido.

"Compreendemos bem o sinal que os eleitores nos quiseram dar", afirmou, sem explicar melhor.

Outros fatores que, segundo Assunção Cristas, contribuíram para o resultado do CDS-PP, em torno dos 6%, foi a "polarização dos votos à direita".

O cabeça de lista do CDS-PP, Nuno Melo, assumiu, pessoalmente, a responsabilidade pelo resultado do partido nas europeias, afirmando que só existe "um responsável", depois de falhar a eleição do segundo eurodeputado.

"[O resultado] tem um responsável, sou eu", afirmou Nuno Melo aos jornalistas, na sede nacional do partido, no final da noite eleitoral, na sede nacional do CDS-PP, em Lisboa.

O cabeça de lista europeu da CDU atribuiu um previsível pior resultado eleitoral nas eleições europeias, do que o de há cinco anos, à conjuntura atual diferente da de 2014, além do tratamento prejudicial pela comunicação social.

João Ferreira falava aos jornalistas na sede de campanha, o centro de trabalho comunista Vitória, vincando estar ainda "perante projeções e não resultados e que apresentam grande variação entre si".

"Queria sublinhar que cada resultado deve ser considerado e apreciado em função do quadro concreto em que é construído. É para nós claro que o quadro em que este resultado foi construído é muito diferente do quadro do resultado de 2014. Estávamos então perante um programa de intervenção da União Europeia e do FMI que, durante vários anos, deixou muito evidentes consequências de políticas e intervenção da União Europeia no plano nacional e na degradação da situação económica e social", afirmou.

O eurodeputado comunista sublinhou que "foi diferente também este quadro porque desde muito cedo, e durante vários meses a CDU, teve de enfrentar dificuldades que passaram por uma óbvia menorização da sua intervenção, desvalorização das perspetivas eleitorais e mesmo campanhas difamatórias que alimentaram preconceitos, a partir de aspetos da situação internacional e não só, e colocaram acrescidas dificuldades à intervenção da CDU".

O secretário-geral do PCP declarou domingo que o resultado eleitoral da CDU foi "particularmente negativo" para os interesses dos trabalhadores, do povo e do país, reconhecendo a quebra face aos três eurodeputados eleitos em 2014.

Jerónimo de Sousa sublinhou que "as eleições legislativas de outubro próximo serão um momento um decisivo" e que "o resultado de hoje deve constituir um sinal de alerta", embora sem querer fazer futurologia sobre futuros resultados ou eventual repetição da atual posição conjunta assinada com o PS em outubro de 2015.

"O resultado da CDU não só é particularmente negativo para a defesa dos interesses do povo e do país no Parlamento Europeu, como não corresponde, quer ao ambiente de apoio expresso durante a campanha, quer ao reconhecimento que continuadamente foi feito do trabalho da CDU e da contribuição decisiva de PCP e PEV para o percurso de avanços nas condições de vida alcançados nestes três anos e meio", disse o líder comunista.

Jerónimo de Sousa vincou que "se as eleições agora realizadas se revestiam de inegável significado, as eleições legislativas de outubro próximo serão um momento decisivo para determinar o rumo da vida política nacional e a vida do povo português nos próximos anos".

O eurodeputado eleito pelo Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Francisco Guerreiro, afirmou que com a sua eleição a Europa terá uma "voz ecologista, que defende os direitos humanos e dos animais.

"Para nós, não é uma surpresa. Foi um trabalho honesto e de propostas", afirmou o eurodeputado eleito, nas primeiras palavras que dirigiu às dezenas de militantes que se juntaram na sede do partido, em Lisboa.

Francisco Guerreiro referiu que deseja uma "Europa nova, mais democrática e que priorize as alterações climáticas e defenda os direitos dos animais". "Rompemos com o paradigma da direita e da esquerda, ao trabalhar para um novo paradigma. Seremos uma voz ecologista e que defende os direitos humanos", assegurou.

O porta-voz do PAN, André Silva, congratulou-se com a eleição de um eurodeputado para o Parlamento europeu, ressalvando que o partido "não é uma moda" e que "ganhará cada vez mais voz".

"Hoje é uma noite para festejar, uma noite histórica. O PAN não é uma moda. Há cada vez mais pessoas a pensar como nós. Temos dado respostas, ao contrário dos partidos tradicionais", afirmou André Silva, num discurso para dezenas de militantes, que gritavam "Europan".

A reação do líder do Pessoas-Animais-Natureza surgiu por volta das 00:10, logo após a confirmação da eleição de um eurodeputado.

Num curto discurso, André Silva afirmou que "a religião do PIB [Produto Interno Bruto] não pode estar no centro da discussão", mas sim questões como a "crise climática".

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