Análise

Cinco pontos para entender as projeções eleitorais na Europa

Cinco pontos para entender as projeções eleitorais na Europa

O primeiro destaque desta noite eleitoral europeia vai para a queda acentuada dos partidos tradicionais de centro-direita (partido Popular Europeu, de que fazem parte PSD e CDS) e centro-esquerda (Socialistas e sociais-democratas, que integra o PS). Continuam a ser os dois maiores grupos do Parlamento Europeu, mas deixam de somar uma maioria no hemiciclo, perdendo, de acordo com as projeções, um total de 80 eurodeputados. Para conseguir a indispensável maioria absoluta, terão de garantir o apoio de alguns dos outros grupos.

O segundo destaque vai para os dois grupos pró-europeus que ganham influência no próximo Parlamento Europeu. Os Liberais passam a ser o terceiro maior grupo europeu, com mais de uma centena de eurodeputados muito à custa da entrada do partido de Emmanuel Macron, República em Marcha, que aliás dará azo a uma nova denominação. Os Verdes estão também em alta, sobretudo graças aos resultados projetados para os ambientalistas na Alemanha (passam a ser o segundo partido alemão, ultrapassando os sociais-democratas), e em França, onde os ecologista já valem o dobro dos socialistas.

O terceiro destaque vai para o crescimento do novo grupo que agrega cerca de uma dezena de partidos da direita radical, liderado por Matteo Salvini, líder da Liga, em Itália, e por Marine Le Pen, à frente da União Nacional, em França. Este novo grupo deverá ser o quarto maior no conjunto do Parlamento Europeu, empurrado pelos resultados da Alternativa pela Alemanha. Este grupo nacionalista deverá ultrapassar os 70 eurodeputados.

Um quarto destaque para a situação do Reino Unido, para o qual ainda só existem projeções baseadas em sondagens pré-eleitorais, apesar da votação já ter sido na passada quinta-feira. De acordo com essa média, o partido mais votado será o Brexit de Nigel Farage, com pouco mais de 30% dos votos. Ainda assim, a soma das previsões para os partidos claramente a favor da manutenção da União Europeia (liberais democratas, verdes, e nacionalistas escoceses e galeses), ronda também os 30%. Os mais castigados serão os trabalhistas e os conservadores. Ou seja, e mais uma vez, o centro político tradicional em forte perda.

Um quinto destaque para o grupo da Esquerda Europeia, no qual se integram Bloco e PCP. As projeções apontam para a perda de meia dúzia de eurodeputados. Partidos como a França Insubmissa, em França, ou A Esquerda, na Alemanha, não recolhem mais do que 5% a 6% dos votos. E o Syriza, a coligação de esquerda radical de Tsipras, na Grécia, fica em segundo, atrás dos conservadores da Nova Democracia.

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