Europeias

Editorial: Estar do lado da democracia

Editorial: Estar do lado da democracia

O lado da batalha em que se está faz toda a diferença. Os números destas eleições podem ser usados para minimizar a vitória do PS ou para relativizar as derrotas do PSD e do CDS-PP, quando comparados com os resultados de 2014.

Mas nessa altura a Direita estava no poder, penalizada pela intervenção da troika. Desta vez é António Costa que, estando no Governo, aguenta o voto de protesto e consegue uma vitória que não tem nada de poucochinho: é apenas o terceiro primeiro-ministro, depois de Cavaco Silva e António Guterres, a conseguir vencer umas eleições europeias.

A Direita perde o combate, claramente penalizada pela crise da contagem de tempo dos professores, mas nem toda a Esquerda o ganha. O Bloco de Esquerda festejou e arranca em boa posição para a corrida que se segue, embora a vitória tenha o toque particular do carisma de Marisa Matias. Já o PCP volta a ser penalizado, depois de também nas últimas autárquicas ter recebido cartão vermelho.

Sem espaço para surpresas nos pequenos partidos e mantendo imunidade aos populismos, os resultados mostram que em Portugal as redes sociais contam pouco. Cada vez menos pequeno, apenas o PAN se destacou com uma força surpreendente. Neste caso não pelo papel dos protagonistas, mas pela popularidade das causas, em linha com o crescimento europeu d"Os Verdes, a família política que irá acolher o eurodeputado do PAN. A dimensão deste partido levou, de resto, Carlos César a entreabrir-lhe a porta para futuras negociações à Esquerda.

Feitas as contas a quem ganhou ou perdeu, o balanço final tem uma palavra incontornável. Abstenção. A percentagem histórica de portugueses que não quis ir às urnas é um sintoma do desinteresse crónico com a Europa e da falta de confiança na classe política, mas é também um péssimo indicador dos níveis de cidadania e de participação. Uma democracia em que tantos se demitem de fazer-se ouvir é uma democracia a precisar urgentemente de se repensar e fortalecer. Um teste para a campanha das legislativas de outubro.