Eleições

PS destaca-se do PSD na luta pela vitória europeia

PS destaca-se do PSD na luta pela vitória europeia

PS e Esquerda a crescer, PSD e Direita em perda. É o facto mais relevante da sondagem da Pitagórica para o JN e TSF. De abril para maio, a diferença entre socialistas e sociais-democratas alargou de dois para oito pontos.

Faltam três dias para as eleições europeias. E o cenário que agora se projeta para a noite eleitoral apresenta muitas diferenças relativamente ao que se previa há pouco mais de um mês. Uma das razões terá a ver com o número de indecisos, que desceu de forma acentuada: são apenas 14,7% dos inquiridos, com destaque para os mais novos (27,7%), os mais pobres (21,3%) e os que vivem mais a Norte (19,8%).

Outra razão terá a ver com o impacto da crise política gerada com a recuperação do tempo de serviço dos professores. Ainda que metade (50%) dos portugueses considere justa a reivindicação, são ainda mais (55%) os que acham que PSD e CDS só queriam ganhar votos. E será por isso que os únicos líderes políticos castigados no julgamento da opinião pública são Rui Rio e Assunção Cristas.

Abstenção elevada

Ainda assim, a projeção de resultados eleitorais deve ser lida com cautela máxima. Considerando os indecisos, a margem de erro da sondagem (4,07%) e a previsão de uma abstenção elevada (sempre acima dos 60% nos últimos cinco atos eleitorais), são muitos os imponderáveis. E como explica Alexandre Picoto, da Pitagórica, "se existe eleição onde a previsibilidade é colocada em causa é justamente nas europeias", fruto da elevada taxa de abstenção.

Quando se analisam os resultados tendo apenas em conta as intenções diretas de voto (sem tratamento da abstenção e distribuição de indecisos), confirma-se que o fosso entre PS e PSD se alargou (de um para mais de quatro pontos percentuais). A explicação para a vantagem socialista encontra-se sobretudo entre os eleitores mais velhos (com uma vantagem de cerca de 13 pontos percentuais) e mais pobres (17 pontos de diferença). Os sociais-democratas só conseguem posição de maior destaque, face ao PS, entre os mais ricos (sete pontos) e entre os que residem no Grande Porto (dez pontos).

É igualmente relevante que o crescimento dos socialistas não se faz, desta vez, à custa dos seus parceiros à Esquerda. O Bloco reafirma o terceiro lugar (cresce ponto e meio de abril para maio) e parece reforçar a possibilidade de chegar a um terceiro eurodeputado. A CDU também cresce meio ponto e ultrapassa o CDS (que revela uma ligeira quebra), mas isso só será suficiente, na melhor das hipóteses, para conseguir dois mandatos (há cinco anos, elegeu três eurodeputados).

PAN elege eurodeputado

São dois partidos - CDU e CDS - "com histórico difícil com as sondagens", reconhece Alexandre Picoto. No caso dos comunistas, são "claramente prejudicados" pelo desvio amostral detetado na fase de recolha, o que "pode explicar o fraco resultado da CDU numa eleição onde é historicamente forte". Ao contrário, e como diz o mesmo especialista, temperando o otimismo para BE e PAN, vai ser preciso esperar pelo dia do voto para perceber se os potenciais eleitores destes dois partidos manterão o "entusiasmo" que manifestaram na sondagem.

O PAN é, entre os partidos mais pequenos, o mais próximo de eleger um eurodeputado. Marca 3,3% na projeção, mais um ponto que o PDR de Marinho e Pinto (2,1%), este com uma hipótese mais remota de renovar o mandato em Estrasburgo (em 2014, pelo MPT, conseguiu dois eleitos). Entre as 17 candidaturas às europeias, destacam-se ainda o Aliança (1,2%) e o Basta (1%), mas aparentemente sem hipótese de chegar ao Parlamento Europeu.