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PSD defende que "Europa tem de liderar" combate às alterações climáticas

PSD defende que "Europa tem de liderar" combate às alterações climáticas

A número dois do PSD, Lídia Pereira, às europeias defende que tem de ser a Europa a liderar o combate às alterações climáticas, e aponta como prioridades nesta área a limpeza dos oceanos e a aposta na transição energética.

Em declarações à Lusa, Lídia Pereira, a mais nova candidata do PSD (27 anos) ao Parlamento Europeu, aplaude a mobilização dos jovens nesta causa, que se traduzirá numa nova greve estudantil no próximo dia 24.

"Vejo uma juventude mobilizada num assunto que lhes toca porque põe em causa esta geração e as gerações futuras", considera, defendendo que o PSD "foi um pioneiro" nestes temas com nomes como Carlos Pimenta ou Macário Correia.

Admite que, se ainda fosse estudante, se poderia juntar a uma destas greves, mas empenhar-se-ia mais na mobilização de colegas e amigos, por considerar que a mudança parte também muito dos comportamentos individuais.

A nível global, apela uma posição de liderança da União Europeia. "Se não for a Europa a ter a liderança nesta questão... a Ásia não trata o plástico, nos Estados Unidos há uma semana Mike Pompeo [secretário de Estado] dizia que o degelo no Ártico é uma oportunidade económica... Se nós não pegarmos nesta causa de uma vez por todas, não vamos conseguir avançar", alertou.

Quanto às propostas do PSD no seu manifesto europeu, a candidata destaca duas e aponta o exemplo da campanha europeia que a JSD quer fazer, com pegada ecológica neutra.

"Uma das que mais tenho falado é a ação do Oceano Limpo, uma iniciativa com os territórios ultraperiféricos, Açores e Madeira, para que liderem uma ação de recolha de plástico, através de tecnologias ainda em desenvolvimento", apontou.

Outra aposta será na transição energética para as energias renováveis, salientando que Portugal "é um país privilegiado" no número de horas de sol, por exemplo.

"Temos uma oportunidade, só temos de aproveitar e usar bem os fundos comunitários disponíveis", defendeu.

Continuar o trabalho de sensibilização nas escolas e ser "mais exigente" com a forma como as empresas tratam o ambiente são outras prioridades.

"Fiquei chocada por saber que, para fazer um telemóvel, são precisos quase 12 mil litros de água e nós trocamos [de aparelho] quase todos os anos", contou.

A aposta nos transportes públicos "de qualidade" para que as pessoas dispensem o carro é também um objetivo, e dá exemplos europeus que conhece.

"Em Bruxelas [onde vive e trabalha], uso só transportes públicos. Tinha um carro, um citadino, mas raramente usava, é uma cidade muito bem servida de transportes. Quando vivi no Luxemburgo também, lá aos fins de semana os transportes públicos eram gratuitos. Mas eram transportes públicos de qualidade, a pessoa tem gosto em andar neles", afirmou.

Em Lisboa, comparou, por vezes "é preciso esperar sete ou oito minutos pelo metro e depois está cheio", considerando que a recente redução dos passes sociais "faz sentido", mas não com "um mau serviço".

"Isso não é justo, nem as pessoas merecem", afirmou.

Para dar o exemplo, a campanha da Juventude Social-Democrata tentará ter uma pegada ecológica neutra, compensando as emissões poluentes da carrinha pão de forma que transporta parte da equipa e dos brindes da 'jota', batizada de 'Celeste'.

"Espero no dia 24 [último dia da campanha] ter já o cálculo de todas as emissões que a 'Celeste' produziu. O nosso compromisso é plantar arvores em número correspondente para mitigar a pegada ecológica que deixámos na estrada, idealmente no pinhal de Leiria", afirmou.

Marcada para 24 de maio, a segunda greve mundial de estudantes pelo clima pretende mais uma vez exigir dos políticos ações concretas contra as alterações climáticas e deverá levar para as ruas milhares de alunos de todas as idades em todo o mundo.

A primeira greve de estudantes pelo clima aconteceu a 15 de março deste ano e juntou, segundo a organização (www.fridaysforforture.org ), pelo menos 1,6 milhões de jovens de 125 países, incluindo Portugal, onde se realizaram protestos em mais de 20 cidades.

Os estudantes inspiram-se na jovem ativista Greta Thunberg, de 16 anos, que todas as sextas-feiras falta às aulas, indo para junto do parlamento da Suécia em protesto contra o que chama de "crise climática".