Perfil

Rui Tavares, candidato às Europeias pelo Livre. Toca trombone e fala francês 

Rui Tavares, candidato às Europeias pelo Livre. Toca trombone e fala francês 

Perfil de Rui Tavares, fundador do Livre e candidato pelo partido às Europeias.

Nome: Rui Miguel Marcelino Tavares Pereira
Nascimento: 29 de julho de 1972, Lisboa
Cargo: Escritor, historiador, político. Fundador do Livre, partido ecológico, europeísta e antiausteritário

Em 1986, com Portugal recém-chegado à CEE, a família faz a primeira viagem europeia. Na carrinha agrícola, uma Ford Transit, partem da aldeia ribatejana de Arrifana - palco, a par de Lisboa, da infância de Rui - e rumam à Checoslováquia, onde um dos filhos (Rui é o mais novo de cinco) estudara e casara. Atravessam a fronteira do Marvão por estrada portuguesa escura e esburacada. À medida que vão avançando, o piso melhora. Em Espanha, em França. "Na Suíça, era uma maravilha", conta. Para reencontrarem, atravessadas a Áustria e a Alemanha, vias iguais às que deixaram em Portugal. Um atraso. A viagem e o que viu do lado de lá do muro teve forte impacto no jovem de 14 anos e levaria a que vivesse a queda do Muro de Berlim, três anos depois, com muita esperança. Heterodoxo de Esquerda, sempre à esquerda do PS, foi buscar a formação europeia às viagens e, mais tarde, aos estudos (doutorou-se em História, pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris), sempre na condição de bolseiro. O gosto por línguas e dialetos vem do tempo da infância. A mãe, com a terceira classe, costumava ensinar-lhe uma ou outra palavra estrangeira que aprendia nos filmes, com a promessa "vais ver, isto é fácil". Deu azo à vocação poliglota - fala castelhano, francês, italiano, inglês, crioulo -, como guia turístico no Panteão Nacional, o primeiro trabalho. Um verão que rendeu 15 contos, investidos numa bicicleta e em vários discos. Gosta de tocar trombone, poucos sabem. "Há uns anos" comprou um "por acaso". "Gosto tanto, mas toco tão mal", confessa. Ao contrário da mulher, Marta, que toca bem flauta transversal e, sobretudo, saxofone. Divertem-se em dueto, muito, interpretando chorinhos, música popular e instrumental brasileira.

Eleito em 2009 deputado para o Parlamento Europeu, independente integrado na lista do Bloco de Esquerda, abandonou a delegação em 2011, acusando Francisco Louçã de ser incapaz de lidar com opiniões contrárias. Avesso a autoritarismos, bateu-se sempre pela convergência das esquerdas. Pai de dois filhos, poderia ter uma vida mais tranquila caso se dedicasse apenas à academia. Mas não resiste ao debate europeu.