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Passa-culpas no corte dos fundos para Portugal

Passa-culpas no corte dos fundos para Portugal

O corte de 7% nos fundos proposto por Bruxelas congregou todos contra Pedro Marques (PS) e levou Nuno Melo (CDS) a atacar Paulo Rangel (PSD) por causa do acordo assinado por Rio com o Governo. A discussão marcou a segunda parte do último debate antes das eleições de domingo.

Foco maior das criticas, Pedro Marques acusou o PSD de não ter pressionado o comissário europeu (da sua cor política) a fazer melhor proposta. Mas foi atacado por todos os opositores, não se comprometendo com um veto de Portugal ao orçamento da União Europeia se vingar corte proposto por Bruxelas.

Rangel abriu o ataque ao dizer que, na prática, o Governo já aceitou a perda de 7% de fundos europeus, para o quadro financeiro que arrancará em 2021. O orçamento da União Europeia ainda está em negociação e, em última instância, tem de ser aprovado pelos chefes de Estado ou de Governo de todos os países da União.

Marques respondeu dizendo acreditar que Portugal ainda pode reduzir o corte, desde que se apresente em Bruxelas com uma frente unida - ou seja, com o apoio do principal partido da Oposição, estribado no acordo assinado no ano passado entre Rui Rio e António Costa. "O PSD tem obrigação de defender o interesse nacional", disse o candidato socialista.

O acordo entre o PSD e o Governo foi usado como arma por Nuno Melo para criticar Rangel e lembrar que não foi o CDS quem negociou este tema com Costa. O centrista assegurou que, na proposta que está agora em cima da mesa (e que foi aceite pelos socialistas como "um ponto de partida"), Portugal não só perderá dinheiro face ao atual quadro financeiro, como sairá prejudicado em comparação com países semelhantes.

Os três partidos do chamado arco da governação foram, por sua vez, atacados pela Esquerda. Marisa Matias (BE) lembra que esta será a terceira vez que Portugal vê diminuir o dinheiro dado por Bruxelas, sempre em governos dominados pelo PS, pelo PSD e pelo CDS. "É um bom retrato de quem não devíamos eleger", disse.

O cenário, diz João Ferreira (CDS), repete-se a cada sete anos: a Comissão Europeia faz uma proposta "muito má", que se transforma numa proposta apenas "má" após negociações. E diz recear que, com os critérios de atribuição de fundos que estão agora em cima da mesa, regiões como o Algarve saiam fortemente prejudicadas.

A quantia final que Portugal receberá ainda está em negociações. A proposta final que sair da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu terá ainda que ser aprovada por todos os chefes de Estado ou do Governo da União Europeia.