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Rádios transmontanas boicotam ações de campanha para as europeias

Rádios transmontanas boicotam ações de campanha para as europeias

As seis rádios locais dos distritos de Bragança e Vila Real, que integram a CIR (Cadeia de Informação Regional), decidiram avançar com um boicote à cobertura de todas as ações de campanha, no âmbito das eleições europeias, que se realizam no dia 26 de maio.

Esta tomada de posição prende-se com uma série de entraves que têm vindo a ser colocados às rádios locais, com decisões que podem levar, no limite, "ao fechar de portas de várias estações emissoras", explica o porta-voz da CIR

Fernando Sérgio afirma que "o Estado discrimina as rádios locais", apontando como exemplo a não atribuição de tempos de antena nestas eleições europeias, já que "só nas autárquicas e nos referendos é que as rádios locais emitem" estes espaços que são pagos. "Em todas as outras eleições somos excluídas pelo Estado", adianta.

Os administradores destas rádios locais garantem que os problemas que afetam o setor são há muito conhecidos pela classe política, mas a situação das rádios de proximidade está numa fase crítica e decisiva. "Estamos a atravessar um ponto de não retorno, o que poderá significar o fim destas empresas de comunicação social a muito curto prazo", afirma Fernando Sérgio, da Terra Quente FM, de Mirandela, que a par das rádios Ansiães (Carrazeda de Ansiães), Brigantia (Bragança), Onda Livre (Macedo de Cavaleiros), no distrito de Bragança e ainda a Rádio Universidade (Vila Real) e a Rádio Montalegre (Montalegre), no distrito de Vila Real, integram a CIR, um projeto que começou há 20 anos.

Aproveitado o período eleitoral que se aproxima, estas empresas de comunicação social mostram o seu desagrado quanto ao tratamento que é dado às pequenas rádios, face aos grandes grupos do ramo existentes no país. "É natural que a população não se aperceba dos constrangimentos a que somos sujeitos. É até um orgulho para nós conseguirmos levar a cabo esta verdadeira missão: estar a par e dar a conhecer com verdade e rigor aquilo que de relevante se passa, mesmo estando debaixo de fogo em permanência", esclarece Fernando Sérgio.

"Ainda há quem pense que as rádios locais são apoiadas ou financiadas pelo Estado, nada de mais errado. As rádios vivem exclusivamente das receitas da publicidade", acrescenta aquele responsável pela CIR que faz questão de sublinhar que "o Estado exige às rádios locais uma carga burocrática maior do que a qualquer gigante empresarial cotada na bolsa de valores".

No entanto, a gota de água que fez transbordar o copo, foi a recente notificação que chegou a todas a rádios locais para as obrigar a entregar um valor a um grupo que representa os artistas musicais em Portugal. "Sempre pagamos uma taxa fixa mensal aos autores das letras e músicas que emitimos. Agora, os cantores, músicos e a poderosa indústria discográfica, querem 5% da faturação das rádios, mas com um valor mínimo garantido", explica Fernando Sérgio.

Tudo isso, lembra "é incentivado pelo Estado que, à luz da Lei aprovada, concede, na prática, a uma entidade privada o poder de cobrar impostos a outras entidades também privadas, que deverá ser situação única em democracia", diz.

"Todas as entidades a quem somos obrigados a prestar contas, sejam públicas ou privadas (ERC, ANACOM ou SPA...) têm em consideração, na cobrança das suas taxas, um fator de progressão atendendo à realidade socioeconómica de cada local", refere.

Perante isto, o porta-voz da CIR deixa a questão: "Haverá algum meio que mais apoie e promova os cantores, músicos e editores discográficos do que a rádio?".