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Turismo sustentável precisa de melhores salários

Turismo sustentável precisa de melhores salários

Secretária de Estado lembra que as políticas públicas não podem "fazer tudo". Francisco Madelino defende que "não se pode pôr o esforço só do lado do cliente".

A secretária de Estado do Turismo reconheceu, ontem, que as "políticas públicas não são suficientes para abraçar a sustentabilidade", que admitiu ser "um desafio grande". No debate promovido pelo Global Media Group e pela Fundação INATEL, Rita Marques disse que "políticos, operadores económicos e turistas têm de assumir essa responsabilidade, fazendo escolhas inteligentes". O presidente da Fundação INATEL, Francisco Madelino, defendeu que "para haver menor impacto do ponto de vista ambiental temos de subir na cadeia de valor" e "não pôr só do lado do cliente a questão do esforço ambiental".

São inúmeros os desafios que Portugal tem pela frente para cumprir os objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Segundo a secretária de Estado do Turismo, "estamos atrasados" e "temos uma enorme responsabilidade à nossa frente" que é de "todos".

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"A política pública não pode fazer tudo. Muitas vezes colocamos o ónus na política pública nos empresários, mas temos 300 mil trabalhadores no setor, todos têm possibilidade de mostrar aos turistas comportamentos positivos no que à sustentabilidade diz respeito", defendeu.

As ambiciosas metas também não serão alcançadas "se os empresários não fizerem investimentos na sustentabilidade e os trabalhadores estiverem quietos", considerou Francisco Madelino.

Aumento dos salários

Para os dois oradores, que falaram ontem em Albufeira sobre turismo sustentável, não há dúvidas que a sustentabilidade envolve "crescimento em valor do negócio", que só será garantido com "aumento dos salários". Num setor sazonal que, alertou Rita Marques, "incita infelizmente à precariedade", "os operadores económicos estão a fazer um esforço para pagar mais". Ainda assim, admitiu que "estamos aquém", estando a remuneração média do setor do turismo "perto dos 800 euros" e que é preciso "dignificar as profissões atinentes ao turismo". O presidente da Fundação INATEL frisou que "os salários só vão subir se subirmos na cadeia de valor e os trabalhadores vão pressionando".

Um dos maiores desafios ao turismo sustentável é este ser compaginável com o turismo de massas e a secretária de Estado do Turismo admite que será "bastante difícil compatibilizar" os dois. Rita Marques acredita, contudo, que Portugal já não tem turismo de massas. "Muitas vezes, turismo de massas confunde-se com turismo barato, e Portugal já não é barato. Em média cada turista que nos visita gasta 1035 euros. Procuram-nos pela qualidade do serviço", explicou, acrescentando que "mais do que muitos turistas, queremos ter os melhores turistas".

"Tsunami turístico"

A pandemia de covid-19 trouxe novos desafios para as unidades hoteleiras, com o aumento da procura pelo Interior do país e uma maior preocupação com a sustentabilidade. Para Francisco Madelino, "é impressionante o tsunami turístico que está a entrar para o Interior do país", com "a sazonalidade a diminuir em Lisboa e no Porto". Rita Marques referiu que, desde 2017, o Governo tem medidas definidas para "o aligeiramento da sazonalidade e a coesão territorial", como vários incentivos para operadores criarem negócios no Interior. São várias as linhas de financiamento disponíveis, como uma de 300 milhões de euros para projetos amigos do ambiente.

Para os dois oradores do segundo de seis "Diálogos de Sustentabilidade", não há dúvidas de que "a pegada ecológica é incontornável", mas há vários desafios a nível mundial. Rita Marques notou que "95% dos turistas chegam por via aérea" e que embora haja "uma preocupação imensa em as companhias aéreas serem mais verdes", esse "é um desafio difícil". "Quero confiar que, num futuro próximo, teremos outras alternativas para chegar a Portugal, como a ferrovia".

A secretária de Estado disse ainda que Portugal tem "projetos únicos" a nível da sustentabilidade e "uma geração jovem que nunca tivemos, altamente capacitada, empreendedora e muito alinhada com vetores da sustentabilidade".

Sun Concept homenageada por barcos sustentáveis

A Sun Concept foi a empresa homenageada durante o segundo debate do ciclo "Diálogos de Sustentabilidade". O diretor-geral da Sun Concept, João Bastos, foi receber o prémio que distinguiu a empresa de barcos por "anular totalmente as emissões de gases de efeito de estufa associadas ao uso, minimizar o ruído e evitar o depósito de hidrocarbonetos nas águas em todos os modelos que desenvolve e produz". A empresa foi criada em 2015 e tem 34 embarcações a navegar, aproximadamente 52 mil horas de navegação sustentável e 916,8 toneladas de emissões de CO2 evitadas.

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