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Apenas lei laboral beliscou sintonia entre Costa e Jerónimo

Apenas lei laboral beliscou sintonia entre Costa e Jerónimo

Líder comunista acusa Governo de desvirtuar oferta de manuais escolares. Convergência nos aumentos salariais.

Não fosse a discordância sobre a interpretação dos efeitos da nova lei laboral, promulgada por Belém há duas semanas e que PCP e BE já admitiram querer levar ao Constitucional, e o primeiro frente a frente das legislativas, esta segunda-feira à noite, entre António Costa e Jerónimo de Sousa, tinha sido um amável encontro entre os dois parceiros da geringonça, que até em sintonia estiveram na cor da gravata - vermelha.

Com muitos pontos de "convergência" para o futuro, ainda que sem assumirem quaisquer compromissos do que possa vir a acontecer após 6 de outubro, o secretário-geral do PS fez o exercício difícil de não elogiar em excesso a entrega comunista à solução governativa. Já o líder comunista assumiu a "intervenção de grande valor" que o PCP teve nos últimos quatro anos.

Costa começou por negar que tenha admitido, como deu a entender numa entrevista ao Expresso, que os comunistas foram os parceiros ideais para trabalhar em detrimento dos bloquistas. "Não seria justo fazer comparações", respondeu, na SIC. Jerónimo assinou por baixo: "Passados quatro anos, manteria a mesma seriedade no relacionamento", negando que o PCP tenha saído prejudicado com a "geringonça".

Porém, os direitos laborais foram o único momento de tensão (fraca) no guião, quando o líder comunista disse que a recente alteração, aprovada com a ajuda do PSD e do CDS - abstenção, precisou Costa - é um "exemplo do perigo de andar para trás". "Não é por acaso que os patrões estão de acordo com a alteração à lei laboral", disse.

Costa contrapôs. Trata-se da "primeira legislação que, aprovada no mundo do trabalho desde 1976, em vez de comprimir, alarga os direitos". "Não podem dizer que é um retrocesso, é um avanço", disse, frisando que a legislação em causa é "uma fortíssima medida contra a precariedade".

Já antes Jerónimo de Sousa, tinha tentando alertar como uma maioria do PS pode desvirtuar medidas conquistadas nesta legislatura. O líder do PCP destacou a oferta de manuais escolares proposta pelo partido e em vigor. Segundo o comunista, o Governo mudou uma "medida importantíssima" ao "impor a reutilização de livros aos menores".

Costa não deu gás à provocação e lembrou a convergência entre PS e PCP quanto à subida de salários: "estamos em condições de nos sentarmos à mesa". Jerónimo já tinha assentido nessa visão, ao assumiu que "aparentemente há uma convergência" sobre a necessidade de valorização salarial.

Melhores no Governo

Sobre a constituição de um futuro Governo, Costa foi lacónico:"não é preciso ter grandes dotes para perceber que quem tem de formar uma equipa não deixa no banco os melhores jogadores que pode pôr a jogar". E, quando confrontando com a possibilidade de Mário Centeno voltar a sentar-se no Conselho de Ministros, o secretário-geral do PS não o negou, destacando também o contributo dos ministros João Pedro Matos Fernandes (Ambiente) e Mariana Vieira da Silva (Presidência) como pontas de lança.

De Jerónimo, ao fim de 15 anos à frente do PCP, veio a recusa em falar sobre a continuidade à frente da Soeiro Pereira Gomes, independente do resultado nas urnas. "Os apressados que tenham mais serenidade", atirou.

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