Legislativas

As estratégias para as campanhas dos principais partidos

As estratégias para as campanhas dos principais partidos

Saiba quais serão os planos previstos para as campanhas dos principais partidos políticos até às eleições legislativas, a 6 de outubro.

Tentar colher louros sozinho, sem arriscar pedir maioria absoluta

António Costa já disse que nunca fará "chantagem com os portugueses" pedindo-lhes a maioria absoluta e é quase certo que essa palavra não entrará nos seus discursos de campanha, com comícios quase diários. Os portugueses "têm más memórias" e "muitos receios" de maiorias absolutas, admitiu o secretário-geral do PS, o que lhe valeu uma resposta do ex-primeiro-ministro José Sócrates, que o acusou de atacar a "história do Partido Socialista" e de "anteriores governos socialistas". Certo é que Costa parte para as duas semanas de campanha - agora dedicada ao litoral, depois de ter percorrido os 738 quilómetros da Nacional 2 pelo interior, sempre acompanhado pela mulher - decidido a conquistar os votos dos que há quatro anos tiveram "receio" de votar no PS. Leva no bolso os resultados da governação, louros que tentará colher sozinho, sem partilhar com os companheiros de "geringonça", em particular com o Bloco de Esquerda, partido que se tornou numa espécie de "bombo da festa" do PS à medida que se aproximam as eleições. Com críticas mais duras de Carlos César, que tem dado a entender que os bloquistas não são um parceiro confiável, mas também do próprio Costa, que ainda esta semana disse que a "geringonça" foi construída "apesar do BE", enquanto deixa elogios ao PCP... e ao PAN, que as sondagens indicam poder vir a ser um novo fiel da balança. Reconhecendo que há muito por fazer, como na Saúde, Costa deverá dramatizar com os perigos da instabilidade e voltar a acenar com o "impasse espanhol" para pedir mais votos.

Dar tudo obriga a uma reta final nos cavaquistões

Rui Rio arrancaria de bicicleta para o país a partir do Porto hoje de manhã - o trajeto delineado, que inclui 17 distritos, era esse. Mas S. Pedro deu um sinal ao presidente do PSD: é preciso mudar de cilindrada para contrariar as sondagens e a oposição interna, que anseia apear o líder após um eventual (grande) desaire nas urnas. Assim, Rio - que chegou a ter na agenda partir de Gondomar mas a quem uma meia maratona estragou os planos - depende da chuva para assinalar o começo da campanha na Casa da Música. O resultado do social-democrata Miguel Albuquerque na Madeira, onde Rio não foi nas últimas duas semanas, pode dar um novo élan às hostes laranjas. Com novo fôlego após o debate contra Costa, que surpreendeu também os críticos internos, Rio retoma a volta na terça-feira, feitos os debates de amanhã, batendo o Sul até quinta-feira, com uma média de quatro eventos diários. A partir daí segue para terrenos onde o fogo é amigo, deixando para a reta final os habituais "cavaquistões" de Viseu e arredores, Aveiro, Porto e Lisboa - onde fecha. Segundo o secretário-geral do PSD, José Silvano, em cinco dos 11 dias os comícios dão lugar a "talks" [conversas] com audiências onde Rio responderá a perguntas. Tirando a máquina da candidatura e um autocarro com 20 jotas, Rio entra em dois banho de multidão. Um primeiro, numa festa popular em Viana do Castelo, a 28. O segundo, a 30, num arraial minhoto, na Quinta da Malafaia, onde o líder tocou bateria nas Europeias e onde parece querer voltar a testar o ritmo

Garantir presença diária nas ruas e diversidade de ações

Nesta altura, o Bloco de Esquerda (BE) já deu uma volta ao país - a campanha começou nas praias com comícios, no final de julho. A partir de hoje, a viagem intensifica-se, com três objetivos: "presença territorial, levantar os temas do programa eleitoral e contacto com a população", resume Jorge Costa, diretor de campanha do partido.

Catarina Martins vai ao encontro das pessoas para que as conversas sejam testemunho das bandeiras que ergue para as eleições. Uma delas é a da emergência climática e, por isso, as deslocações foram rentabilizadas para evitar grandes saltos.

Das iniciativas de centenas a jantares quase intimistas, o objetivo é garantir a diversidade e a presença na rua "todos os dias", explica o também deputado.

Os bloquistas vão a 11 distritos em duas semanas, e há comícios em Torres Novas, Almada, Braga e Coimbra. Os jantares com apoiantes estão previstos para Quarteira, Viana do Castelo, Santa Maria da Feira e Porto. A noite eleitoral vai ser passada em Lisboa, cidade onde se prepara um dos grandes momentos da agenda, com um mega-almoço na FIL, já a 28 de setembro, com duas mil pessoas, a que se vai seguir uma arruada no Parque das Nações. A feira de Espinho, uma das maiores do país, recebe a visita da que é até agora a terceira força política do Parlamento, na segunda-feira, dia 30. Já na Invicta, onde o BE encerrou a campanha de 2015, há arruada em Santa Catarina e jantar na Alfândega. É em Setúbal, onde em 2015 elegeu dois dos 19 deputados, que o partido realiza o jantar de encerramento.

Líder comunista em mais de 40 iniciativas de norte a sul do país

Treze distritos em doze dias, comícios praticamente diários e visitas a empresas e instituições de diferentes setores.

Pela quinta vez a concorrer às eleições legislativas enquanto secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa não vai poupar nos quilómetros para "dar mais força à CDU", tal como manda o slogan de campanha da coligação entre comunistas e ecologistas. O líder partidário com 72 anos vai participar nas 43 atividades do itinerário, que começa amanhã com uma sessão sobre transportes públicos na estação de Santa Apolónia, em Lisboa.

Esclarecer e ouvir os eleitores é a prioridade da campanha, que vai quatro dias a Setúbal, onde a CDU elegeu quatro deputados em 2015, atravessa o Alentejo, bastião comunista, e dedica um dia a Faro. Durante as próximas duas semanas, a caravana vai passar também por Leiria, Santarém, Viana do Castelo, Braga, Porto, Viseu, Aveiro e Coimbra. A região de Trás-os-Montes e os distritos da Guarda, Castelo Branco e Portalegre foram visitados no período de pré-campanha e ficam fora do roteiro principal.

Do leque de iniciativas da CDU vão fazer parte duas viagens de comboio, almoços e jantares, encontros com trabalhadores e conversas com a população. A estratégia passa, ainda, por abordar temas como a Cultura e a Investigação, considerados pela coligação como "estratégicos para o futuro do país".

Nos últimos dois dias há arruadas no Chiado e em Santa Catarina e é um comício em Braga, no dia 4 de outubro, que fecha a campanha.

Contacto direto leva vantagem e comícios deixam de ser regra

A campanha para as legislativas já não é o que era. Nas duas semanas que o separa do veredito, o CDS-PP aposta sobretudo em ações de rua, com contacto direto entre eleitores e candidatos e com explicação das suas propostas. Esta vertente corresponderá "à esmagadora maioria das iniciativas", garantiu ao JN João Gonçalves Pereira, que está a dirigir a campanha. E sublinhou ainda que aquela aposta marcará não apenas a caravana da líder mas também as campanhas de âmbito distrital. Feiras e mercados continuarão a fazer parte do cardápio, com Assunção Cristas a procurar mostrar um lado mais popular. No menu da campanha centrista, apenas haverá "um ou outro jantar-comício". Segundo o dirigente, estão programados apenas três, nos distritos de Aveiro, Braga e Porto, este último reservado para o penúltimo dia. O último dia, sexta-feira, dia 4, terminará em Lisboa, onde o partido apostará numa arruada pelo Chiado, ao final da tarde. A rota fornecida ao JN pelo partido inclui presença em todas as regiões, mas Beja, Évora e Portalegre não constam da listagem. João Gonçalves Pereira destacou que a presença será reforçada naqueles distritos onde a disputa pela eleição de deputados é maior, mas argumentou que, para o partido, não há "filhos e enteados" no que respeita ao território. Entretanto, debates e entrevistas também obrigarão Assunção Cristas a estar em Lisboa, distrito que surge assinalado em quatro dias da rota centrista. O distrito do Porto é passagem obrigatória em três datas da campanha oficial, nos últimos três dias da agenda do CDS-PP.

Disponível para responder a todo o tipo de perguntas

Vai ser assim quase todos os dias da campanha oficial. O porta-voz do PAN e recandidato a um lugar no Parlamento irá sentar-se no centro de uma localidade, disponibilizando-se para responder a "todo o tipo de perguntas" que os cidadãos lhe queiram fazer. A iniciativa denomina-se precisamente "Pergunta-me o que quiseres" e insere-se na principal aposta do partido para a reta final da campanha para as legislativas: a democracia participativa. E, sim, os eleitores poderão perguntar a André Silva a marca dos sapatos ou o material de que é feito o cinto, brinca a candidatura, a propósito da polémica que varreu as redes sociais devido ao tipo de calçado que o deputado usou no seu primeiro frente a frente televisivo com a bloquista Catarina Martins. "A democracia participativa é o nosso mote", assegura um dos responsáveis pela campanha e dirigente nacional Pedro Neves, exemplificando com a forma como foram encontradas as cerca de três ações que o PAN terá por dia. "Pedimos localmente para que fosse feita uma lista com os principais problemas e as iniciativas sugeridas", revela. Acresce que o partido constituiu uma equipa para fazer o apoio nos bastidores e que assegura que "nenhuma questão colocada por messenger, email ou Facebook..." fique sem resposta. Ao contrário dos restantes candidatos, André Silva só parte para a campanha oficial na quarta-feira, com o olival intensivo. Na segunda-feira, concentra-se no debate com todos os candidatos e reservou terça-feira para as entrevistas pedidas pela Imprensa. O PAN termina a campanha em Lisboa.