Mangualde

Costa desafia empresários a pagar melhor e recebe aplausos na fábrica

Costa desafia empresários a pagar melhor e recebe aplausos na fábrica

De visita a duas fábricas de confeção em Mangualde, o secretário-geral do PS desafiou os empresários a pagarem melhores salários. Se ganhar as eleições, uma das suas primeiras prioridades será sentar-se à mesa com a Concertação Social para fixar novas metas de aumento do Salário Mínimo Nacional, mas também um "acordo global de rendimentos".

Na visita de mais uma hora e meia às duas fábricas da CBI, que empregam cerca de 450 pessoas, na sua maioria mulheres, o secretário-geral do PS apontou a "excelência da qualidade" da indústria da confeção portuguesa e defendeu que "mais importante do que o preço barato, é importante ter qualidade" no produto e, ao mesmo tempo, "remunerar melhor quem trabalha", arrancando aplausos entre as trabalhadoras a quem se dirigia. "Ele é que devia dar ordem para aumentar", soltou uma delas em jeito de desabafo, revelando que levam, em média, cerca de 600 euros de ordenado para casa.

Francisco Batista, proprietário da fábrica que tem mais unidades no país e já se expandiu para Cabo Verde, admitiu que "se devem tentar pagar salários mais altos, mas também que as leis laborais permitam que as empresas continuem a ser competitivas". "Se pagarmos mais e trabalharmos menos, seguramente a competitividade foi-se", defendeu, pedindo cuidado na redução dos horários laborais e na fixação de aumentos salariais.

O empresário defendeu a importância de "cada vez mais trabalhar para manter os bons clientes, para marcas boas, dar-lhes bom serviço, para que quando nós propomos um ligeiro aumento eles olhem e digam 'ali é mais barato, mas aqui é melhor'". E apelou à "consciência" do pessoal. "Acho que deve reivindicar querer ganhar mais, mas também devem olhar para a sua parte, que na empresa tem de se produzir, tem de se trabalhar. Não se pode faltar de qualquer maneira, o nível de absentismo também é muito grande", disse, aludindo ao facto de empregar maioritariamente mulheres e de ainda haver uma sobrecarga nas tarefas familiares.

No final da visita à fábrica, António Costa voltou a dizer que, na próxima legislatura, se for eleito primeiro-ministro, uma das suas primeiras prioridades é ouvir a Concertação Social para fixar quais as metas em matéria de evolução do Salário Mínimo Nacional (SMN), como foi feito na anterior legislatura, que garante ter dado previsibilidade e segurança tanto às famílias como aos agentes económicos.

Não comprometer diálogo

Costa quer voltar a negociar com os empresários "como é que o SMN pode gradualmente ir crescendo, de forma a permitir uma melhoria dos rendimentos das famílias, mas também a manutenção e a melhoria de condições de produtividade e competitividade das empresas", disse, "porque a economia tem de continuar a crescer para poder pagar melhores salários".

O secretário-geral do PS pretende que esse acordo de rendimentos não se limite ao salário mínimo, uma vez que "não temos um problema só com o salário mínimo, temos um problema geral do rendimento das famílias".

Costa não quer fixar um valor para esse aumento, nem sequer uma meta até ao fim da legislatura. "Não quero comprometer o diálogo que vamos ter colocando números à partida. O desejo que temos é que possa ser o mais elevado possível e é isso que temos que falar, como podemos chegar lá", disse, apontando que "há vários fatores de equilíbrio e de compensação que devem ser tidos em conta nessa negociação", mas afastando desde já como contrapartida a redução da Taxa Social Única paga pelas empresas. O objetivo é que esse acordo não seja só para 2020, mas desejavelmente para toda a legislatura, disse.