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Costa promete nova geringonça mas com um PS "mais forte"

Costa promete nova geringonça mas com um PS "mais forte"

Socialistas, sem maioria absoluta, vão precisar de parceiros à Esquerda. Rio resiste no PSD e Cristas diz adeus ao CDS. Há três novos partidos no Parlamento.

O PS vence de forma clara, mas fica a uma dezena de deputados da maioria absoluta. O PSD perde de forma evidente, mas evita o descalabro. O BE repete o terceiro lugar e fica exatamente no mesmo sítio. A CDU sofre uma erosão acentuada e tem o seu pior resultado de sempre. O CDS escapa por uma unha negra ao "partido do táxi", mas já não tem líder. O PAN confirma as expectativas e forma grupo parlamentar. E, finalmente, haverá maior diversidade, uma vez que três novos partidos chegam ao Parlamento: Chega, Iniciativa Liberal e Livre.

O ministro Pedro Nuno Santos explicou o que estava em causa pouco depois de divulgadas as primeiras projeções. Não haveria maioria socialista, mas faltava saber qual seria a relação de forças. Não porque estivesse em causa a formação do Governo (como ficou claro quando falaram Jerónimo de Sousa e Catarina Martins), mas porque é preciso saber quem viabiliza os próximos orçamentos. E o de 2020 está aí à porta.

Direita fragmentada

Os números confirmaram, ao final da noite, que António Costa somou mais votos e deputados do que todos os quatro partidos de uma Direita fragmentada, mas também que precisa de reeditar um acordo à Esquerda. O próprio tratou de anunciar que tentará reeditar uma geringonça de que "os portugueses gostaram". Mas será diferente, porque "o PS está mais forte".

Entre os antigos sócios da "geringonça", o primeiro a ditar as suas condições foi um derrotado Jerónimo de Sousa (a CDU ficou ainda mais abaixo que Carlos Carvalhas em 2002, embora com o mesmo número de deputados). O caderno de encargos inclui o aumento do Salário Mínimo Nacional para 850 euros, o crescimento real das pensões, creches gratuitas para todas as crianças até aos três anos, e o investimento na Saúde.

O líder comunista deixou claro, no entanto, que não há condições para viabilizar a formação de um Governo do PS. O que há para negociar é apenas e só ao nível do Orçamento do Estado. Se os comunistas também pretendem um acordo para a legislatura, não o disseram na noite de ontem.

Catarina Martins falou 20 minutos depois, para dizer o mesmo relativamente à recondução de António Costa como primeiro-ministro. Mas colocou o apoio do BE em dois patamares possíveis: um acordo para a legislatura; ou uma negociação ano a ano. O Bloco também tem condições: reverter a legislação laboral (repondo férias, horas extra e indemnizações por despedimento), investir na Saúde e nacionalizar os CTT.

Mas a geringonça 2.0 poderá ter novos atores: António Costa não se esqueceu do Livre e muito menos do PAN (ainda que André Silva não tenha mostrado entusiasmo na resposta).

Assunção de saída

Mais à Direita, os sentimentos foram mistos. Assunção Cristas assumiu cedo que o resultado seria desastroso (os centristas passam de 18 para cinco deputados), anunciou um congresso extraordinário e despediu-se da liderança.

No PSD, o discurso de Rui Rio foi inteiramente dedicado a tentar explicar porque não havia razão para desarmar. Houve os fatores externos, como o crescimento económico; ou os novos pequenos partidos de Centro-Direita, que levaram pelo menos dois pontos percentuais; e finalmente as sondagens que "desmotivam os eleitores". E houve, depois, as ameaças internas: sobretudo os comentadores com agenda política, que contam com a "conivência" da Comunicação Social (um recado evidente para Marques Mendes). O discurso do líder social-democrata só passou dos longos agradecimentos e das explicações para os resultados porque havia jornalistas a fazer perguntas. E foi nessa altura que Rui Rio admitiu que continua disponível para colaborar com o PS na elaboração de reformas estruturais.

A tal nova Direita que retirou alguns pontos ao PSD e ao CDS, passa, aliás, a ter quatro partidos: entram no Parlamento o Iniciativa Liberal de Carlos Guimarães Pinto (que não foi eleito) e o Chega de André Ventura. Pertenceu a este, aliás, uma das frases da noite: "dentro de oito anos, seremos o maior partido de Portugal".

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