Comício

Da música clássica à chamarrita, a CDU cantou em Coimbra para apelar ao voto

Da música clássica à chamarrita, a CDU cantou em Coimbra para apelar ao voto

Que os comícios da campanha eleitoral da CDU têm sido marcados por momentos musicais não é novidade. Em Coimbra, Manuel Pires da Rocha desafiou amigos e apoiantes a dar um concerto no bairro Norton de Matos e apelou ao voto, numa noite concorrida, com as visitas de Assunção Cristas e de António Costa à cidade dos estudantes.

Depois de Aveiro, durante a tarde, foi a vez de Coimbra receber Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, para mais um dos muitos comícios da CDU. Mas o maestro foi mesmo Manuel Pires da Rocha. O primeiro candidato por Coimbra reuniu "camaradas" para preparar um concerto, com um repertório pensado ao pormenor, que antecedeu os discursos. Dois dias de ensaios chegaram para animar, durante cerca de uma hora, os militantes e curiosos que encheram o bairro Norton de Matos.

"Quando houve a ideia do comício, nós dissemos todos: 'É comício, mas temos que ter uma horita para tocarmos', e foi assim. Juntamo-nos todos e fizemos um conjunto de canções que achamos bonito para oferecer às pessoas", começou por contar Manuel Pires da Rocha ao JN.

O concerto começou ao piano com duas peças clássicas - Samuel Barber e de Tchaikovski - e seguiu com os "Verdes Anos" de Carlos Paredes. O público foi-se aproximando cada vez mais do palco e até cantou algumas das canções. O ex-diretor do Conservatório de Música de Coimbra e agora cabeça de lista da CDU por Coimbra escolheu a música para passar a mensagem política. "Achamos que era interessante fazer, numa iniciativa política, outra iniciativa política dentro dela, que foi cantar. Juntamos gente da Brigada Victor Jara, um músico dos Madredeus, gente do fado e duas pianistas", enumerou.

A plateia aderiu ao momento e deu alento a quem estava em cima do palco. "Foi engraçado fazer aqui o concerto no bairro porque ao mesmo tempo que é uma iniciativa política, é de alguma forma uma oferta musical às pessoas daqui. A receção foi muito agradável e foi muito bonito".

E depois da chamarrita, uma estreia: "Avançar é preciso", composta pelo grupo, foi tocada pela primeira vez na presença de Jerónimo de Sousa. As palmas acompanharam o ritmo. "Para a frente minha gente, já cansa como isto está, avançar é preciso, para trás já não dá", ditava a letra e continuava a mensagem: "Para frente minha gente, já chega de arrecuas, avançar é preciso, para ver se isto muda".

Manuel Pires da Rocha não tem dúvidas: "A alegria é a melhor proposta política que se pode ter". E, por isso, o concerto serviu também para apelar ao voto na CDU e reforçar uma das principais bandeiras da coligação: o objetivo em atingir 1% do Orçamento do Estado para a Cultura.

"Por ter sido diretor do Conservatório de Música de Coimbra, e o ano passado diretor do Conservatório de Música de Loulé, sei que neste momento saem das instituições do Ensino Superior muitos músicos, muitos bons músicos, que não têm trabalho. Estão disponíveis para fazer ações de grande valor musical junto da população, por isso precisamos mesmo de 1% para a Cultura para haver uma programação da atividade cultural em Portugal, que seja de ganho de novos públicos e seja de emprego dos novos músicos", afirmou o cabeça de lista.

Afinal, a "música é um argumento político, não é só um enfeite".

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