Legislativas

Debates têm servido para alguma coisa? Eles respondem

Foto Arquivo/global Imagens

António Costa e Rui Rio debatem esta manhã, pela última vez, pelas 10 horas, em direto na rádio. À noite, na RTP, é a vez do último frente a frente entre os líderes dos partidos com assento parlamentar. O JN foi ouvir várias opiniões sobre os debates das últimas semanas: Rio foi quem mais surpreendeu e André Silva, do PAN, é o mais criticado.

Pinto da Costa Presidente do F. C. Porto

"Vi os debates para saber o que cada um pensa e o que cada um diz, o que às vezes é diferente. Estive atento a ouvir o que cada partido dizia sobre duas questões: a carga fiscal inacreditável aplicada aos clubes, e nesse aspeto ninguém disse nada, e a regionalização, para ver quem é que ia de encontro ao interesse da maioria da população. Verifiquei com espanto algumas declarações. O único partido que tem a regionalização no programa é o PCP e não faz favor nenhum porque a regionalização está na Constituição. Os outros, entre o dúbio e o enganar as pessoas com a conversa da descentralização, estão a marimbar-se. O CDS é contra porque é um partido centralista. Rui Rio teve prestações aceitáveis nos debates, o que até me surpreendeu, mas já se sabe que é um inimigo acérrimo da regionalização. O que mais me chocou foi o comportamento do PS, cujo secretário-geral é a favor mas disse que não se podia falar disso porque o presidente da República não gostava. Deixou-me estupefacto. Mas nós temos um presidente da República ou um dono disto tudo?".

Arménio Carlos Líder da CGTP

"Era fundamental que a área do trabalho tivesse sido mais aprofundada, uma vez que é a questão mais central para o desenvolvimento do país. A recente aprovação da legislação laboral mantém a precariedade e os baixos salários e tanto PS como PSD estão a passar propositadamente ao lado dessa discussão. Em contrapartida, as candidaturas de PCP, BE e Verdes têm sido sensíveis a esta matéria, nomeadamente ao terem pedido a fiscalização sucessiva das alterações ao Código do Trabalho".

Herman José Humorista

"Não vi debate algum, conheço bem demais o discurso e as intenções dos principais envolvidos. Os debates só muito tangencialmente poderão ter decidido alguma coisa. Ainda assim, gostaria que tivessem sido discutidos os grandes temas sobre tudo aquilo em que o Estado coarta a liberdade do cidadão, mas essas questões são evitadas. Ninguém se atreve a mudar o status quo - uns por preguiça, outros por medo, outros por conluio".

Carlos Fiolhais Físico

"Só vi o debate entre Costa e Rio e foi melhor do que estava à espera; os outros pensei que seria mais do mesmo e dizem-me que foi. Para mim, Rui Rio foi quem mais se destacou, porque entrou como grande derrotado e mostrou que não merece perder por tantos - até porque uma maioria absoluta seria má para o país. Não vi os debates, mas contaram-me que o PAN só sabe de um assunto e mesmo sobre esse não sabe muito. Quanto ao que gostava de ter visto ser debatido, considero que o papel da ciência podia ter ficado mais claro. De cultura não houve nada e de educação falou-se quase só da questão dos professores".

Américo Aguiar Bispo auxiliar de Lisboa

"Acompanhei os debates, gosto de votar tendo presentes os projetos e as personalidades dos políticos. Não queria entrar em pormenores, mas digo apenas que gostava que a grande derrotada nestas eleições fosse a abstenção, caso contrário será um fracasso dos media, da Igreja e da própria sociedade. De resto, acredito que cada cidadão deve poder expressar a sua identidade, religiosa ou não, independentemente das diferenças. É fulcral que, após as eleições, sejamos capazes de construir um caminho comum".

José Miguel Júdice Advogado

"Vi quase todos os debates por dever de ofício, uma vez que tenho um programa na televisão; senão, não veria quase nenhum. Pela negativa destaco André Silva, do PAN. Não foi apenas o pior, foi o mal absoluto. Pior é impossível. A melhor foi Assunção Cristas porque mostrou preparação. António Costa fez tudo para não brilhar, Catarina Martins esteve bem em alguns debates e pior noutros e Rui Rio esteve melhor no debate com Costa, embora nos outros tenha estado mal - e é mais grave fazer maus debates do que bom fazer bons debates. Gostaria também de ter visto outros partidos que podem eleger, como o Livre, a Iniciativa Liberal e o Aliança. Foi pena".

Raquel Varela Historiadora

"Os debates não foram esclarecedores, de todo. Está ausente o debate político, as grandes opções sociais, de Estado, de regime, de classes, de lugar do país no sistema internacional e na UE. Os debates são, em geral, de merceeiros, contabilistas, mais 1, 2% para ali, menos 1, 4% para aqui. É o domínio da pequena política. A grande política está ausente e o povo foi afastado. É um caldo perigoso para o populismo. Gostava de ter visto debatida a dívida privada que foi transformada em pública, a dependência exterior crescente, os baixos salários, os horários de trabalho e a desagregação do SNS".

Pires de Lima Empresário

"Tem reinado uma cultura de moderação e respeito pouco característica de eleições anteriores. Assunção Cristas esteve por cima na maioria dos debates e tem conseguido apresentar de forma tão clara as principais prioridades do CDS que, se os debates fossem a única coisa a contar, o partido teria de certeza uma votação positiva. No debate Costa/Rio, foi o líder do PSD quem se superiorizou. Já aquele que tem visto mais as suas deficiências serem postas a nu tem sido André Silva, do PAN, que tem feito uma figura bastante triste sempre que é chamado a falar de temas para os quais não tem argumentos".

Carlos Silva Líder da UGT

"Os partidos têm tentado evitar uma maioria absoluta do PS. Ainda assim, foi uma pré-campanha morna, por vezes estes períodos confundem mais do que esclarecem. Seria importante que a campanha trouxesse um conjunto de medidas bem justificadas por parte de todos. Tenho ouvido propostas de Costa e Rio relativas ao aumento do salário mínimo, até o próprio CDS apresentou um programa com algumas medidas com as quais convergimos como, por exemplo, o reforço da concertação social. Tudo o que vier a favor dos trabalhadores será, naturalmente, bem aceite".

Ana Bacalhau Cantora

"Não tenho acompanhado. Fala-se muito de questões económicas e políticas mas não se fala, por exemplo, de ecologia e de ambiente, quando a verdade é que não há economia se não houver Planeta. Do que vejo só alguns pequenos partidos têm trazido isso à discussão. De resto é tudo o "fala, fala, mas não diz nada". Quero informar-me, mas acho que os debates cada vez informam menos. Gostava de ver coisas mais construtivas de todas as partes. Quero é ideias e coisas concretas!".

Richard Zimler Escritor

Não tenho visto os debates. Pode parecer estúpido, mas fico nervoso quando alguém diz algo que considero errado. Ainda assim, admito que é importante ouvir as opiniões dos candidatos e, também, o estilo deles, nomeadamente se gostam de atacar, de insultar... O problema é não haver tempo para os jornalistas verificarem as muitas mentiras que são ditas. Lamento que não se fale sobre os milhares de britânicos que vivem em Portugal, nem do que lhes vai acontecer depois do Brexit, e o mesmo vale para os portugueses que vivem no Reino Unido".

António Manuel Ribeiro Músico

"Ver os debates é um dever cívico. António Costa tem mostrado muita segurança - a conjuntura favorável também o permite - mas, para mim, a maior surpresa pela positiva é Rui Rio. Já era dado como um nado-morto, mas tem sido muito assertivo: não faz a "campanha da carne assada", como ele diz, conhece os dossiers e tem os números na ponta da língua. Catarina Martins tem feito algumas exigências que eu também gostava de ver cumpridas, mas que a situação do país não permite. E André Silva, do PAN, muitas vezes confunde o mundo ideal com o mundo real. Quanto aos temas, gostava de ver o Acordo Ortográfico novamente debatido: o Brasil prepara-se para o rejeitar, mas nós continuamos a insistir neste erro científico".

Francisco Calheiros Presidente da Confederação do Turismo Português

"Vi os debates, foram muito elucidativos. O que quero acima de tudo é que haja estabilidade e o que é facto é que, na minha opinião, os portugueses têm sabido votar. Espero que assim continue a ser no dia 6 de outubro".